- ICE e Patrulla Fronteriza são as duas principais agências migratórias dos EUA, atuando dentro do Departamento de Segurança Nacional, com funções que se sobrepõem na era de Trump.
- Em Minneapolis, dois americanos foram mortos a tiros por agentes dessas agências em menos de vinte dias, gerando debate sobre o uso da força e limites de atuação.
- O ICE recebeu o maior orçamento já destinado a uma agência, com mais de 100 bilhões de dólares até 2029, incluindo mil novos agentes e centros de detenção para migrantes.
- A Patrulla Fronteriza atua principalmente na fronteira, mas tem realizado operações em cidades do interior, incluindo Minneapolis, com capacidades ampliadas sob Trump.
- As duas agências trabalham em conjunto em mutirais operações, com críticas sobre treinamento urbano, uso de força e detenções dentro de tribunais federais de imigração.
O ICE e a Patrulla Fronteriza atuam no território dos Estados Unidos e, sob o atual governo, têm expandido suas operações. Em Minneapolis, agentes dessas duas instituições foram vistos em ações de grande escala, levantando debates sobre poder, treinamento e uso da força. O tema ganhou fôlego após incidentes envolvendo civis.
Dois casos chamaram a atenção: a morte de Renee Good, uma poetisa de 37 anos, atingida por um agente do ICE durante protesto na cidade, e o tiroteio de Alex Pretti, também de 37 anos, executado pela Patrulla Fronteriza durante uma intervenção em outra manifestação. Em ambos, as circunstâncias geraram questionamentos sobre protocolo e responsabilidade.
O ICE, serviço responsável pela aplicação das leis de imigração, começou após o 11 de setembro de 2001 e atua internamente, com as áreas de Detenção e Deportação (ERO) e Investigação de Segurança Nacional (HSI). A Patrulla Fronteriza, criada em 1924, atua principalmente na fronteira, mas ganhou poderes para operações em território nacional sob a bandeira de cumprir a lei de imigração.
Crescimento e recursos
Sob a gestão de Trump, o ICE recebeu o maior orçamento já destinado a uma agência na história dos EUA, com previsões acima de 100 bilhões de dólares até 2029. Parte importante desse montante financia a expansão de quadros, com cerca de 22 mil agentes já em atuação, parte deles recrutados com campanhas voltadas a perfis conservadores.
Além disso, 45 bilhões do orçamento de quatro anos devem manter migrantes em centros de detenção administrados pelo ICE, com mais de 200 unidades no país. Dados oficiais indicam que houve aumento de mortes em custódia, com 32 óbitos no primeiro ano da segunda administração de Trump e pelo menos seis novos registros em 2026.
Como os agentes são identificados e treinados
Desde 2023, milhares de agentes foram deslocados para grandes cidades, incluindo Los Angeles, Washington, Minneapolis, Chicago e outras, em operações de grande escala e detentivas menores. Identificar agentes no terreno pode ser difícil quando atuam disfarçados ou sem distintivos visíveis, ainda que muitos utilizem coletes com identificação.
O treinamento foi reduzido para cerca de oito semanas, com opções de cursos virtuais. O ensino de espanhol foi flexibilizado e práticas de controle de multidões passaram a ter menos foco. Mesmo assim, a maior parte dos recrutas precisa cumprir requisitos físicos e de conhecimento jurídico.
Diferença entre as agências
A Patrulla Fronteriza atua principalmente na fronteira e pode operar na chamada zona de 100 milhas das linhas fronteiriças, prerrogativa que inclui busca e detenção sem ordem judicial. O ICE atua no interior, com atuação em áreas urbanas, investigação de crimes transnacionais e detenção de migrantes, bem como deportação. As funções, embora distintas, têm se sobreposto em várias operações.
Cooperação e críticas
As duas agências costumam realizar operações conjuntas, incluindo detenções em tribunais federais de imigração, prática retomada durante a atual administração. Críticas têm sido direcionadas a táticas utilizadas durante protestos e atos de força, com relatos de uso de gás lacrimogênio e outras medidas em situações de manifestação pública.
Em Minneapolis, o episódio envolvendo a morte de Pretti intensificou o escrutínio sobre a atuação policial migratória, levando autoridades locais a questionarem a atuação de oficiais federais em contextos urbanos. A pauta permanece sob análise de comissões e do público, sem encerramento formal no momento.
Entre na conversa da comunidade