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Brasil registra 84,7 mil desaparecidos em 2025, média de 232 por dia

Brasil registra 84.760 desaparecimentos em 2025 (232 por dia), salto de 4,1% ante 2024 e avanços na localização de pessoas

Ato Público pelo Dia Internacional das Pessoas Desaparecidas, realizado na Praça da Sé. Evento contou com a presença de diversos coletivos e instituições que representam essa luta, entre eles: Mães da Sé, Mães em Luta, União de Vítimas, Esperança da Rua, Instituto Mercia Nakashima, Abrace, Mães do Paraná, instituto Giorgio Renan por Justiça. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
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  • Em 2025 o Brasil teve 84.760 casos de desaparecimento, equivalente a 232 sumiços por dia, 4,1% acima de 2024.
  • Dados do Sinesp mostram que a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, criada em 2019, ainda não freou a escalada; houve quedas úteis em 2020 e 2021, mas o crescimento continuou nos anos seguintes.
  • Ao todo, 56.688 pessoas foram localizadas em 2025, alta de 51% desde 2020 e 2% ante 2024 (55.530).
  • Em 2025, 28% dos desaparecidos tinham menos de 18 anos; entre menores, a maioria era menina (62%).
  • A Política Nacional segue em implementação gradual, com o Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas lançado em 2025 e adesão de estados ainda baixa, com expectativa de integração total no primeiro semestre de 2026.

O Brasil registrou 84.760 casos de desaparecimento de pessoas em 2025, conforme dados do Sinesp. A média é de 232 sumiços por dia, alta de 4,1% em relação a 2024, que teve 81.406 ocorrências. A Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas ainda não freou a escalada.

Segundo especialistas, o aumento ocorre em meio a limitações históricas na subnotificação e na dificuldade de registrar ocorrências em alguns contextos. Eventos como a pandemia de Covid-19 também impactaram o fluxo de atendimentos e documentos, contribuindo para números menos precisos.

Em 2025, houve queda nos registros de pessoas localizadas. Ao longo desta década, 56.688 pessoas foram localizadas, contra 37.561 em 2020. O salto de 51% sinaliza avanços nas estratégias de busca, segundo a pesquisadora Simone Rodrigues, da UnB, que aponta maior interoperabilidade entre instituições como principal fator.

A coordenadora do Observatório de Desaparecimento de Pessoas no Brasil afirma que a melhoria dos mecanismos de compartilhamento de dados contribui para as localizações. Ela, porém, ressalta que muitos casos envolvem violência e crimes não elucidados, o que dificulta a compreensão completa do problema.

Entre os fatores de complexidade, estão situações de milícias, tráfico de pessoas, violência doméstica e discriminação. Em muitos casos, familiares ou vizinhos não registram boletins, o que alimenta a subnotificação e dificulta a atuação das forças de segurança.

A política nacional de busca, lançada em 2019, mantém avanços, mas ainda enfrenta implementação desigual entre estados. O Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas, criado em 2025, tem adesão parcial de unidades federativas, com previsão de expansão no primeiro semestre de 2026.

No recorte de menores de idade, 28% dos desaparecidos em 2025 tinham menos de 18 anos. O patamar de casos infantis subiu 8% frente a 2024, enquanto a participação masculina permanece elevada entre o total, e entre crianças e adolescentes predominam as meninas.

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