- Pesquisas em vários países mostram que eleitores perguntam a chatbots como o ChatGPT e o Gemini em quem votar, gerando preocupação entre especialistas e reguladores.
- Na Holanda, 10% dos eleitores disseram que seguiriam as recomendações dos chatbots; entre 18 a 34 anos esse índice chega a 17%.
- No Chile, 27% dos eleitores interagiram com plataformas de chat sobre o pleito, chegando a 44% entre grupos com maior poder econômico.
- Estudo do MIT, em 2024, com 2.400 eleitores nos EUA, registrou impactos de até 3,9 pontos a favor de Harris entre apoiadores de Trump quando o chatbot era favorável a Harris; efeitos foram maiores que os de anúncios em anos anteriores.
- No Brasil, Ipsos aponta que 79% dos usuários de IA usam a tecnologia para aprendizado, incluindo temas políticos; pesquisas locais com chatbots mostraram variação de orientação entre ChatGPT, Gemini e Grok, levantando questões sobre igualdade de condições e regulação.
Chatbots já influenciam eleitores em nível mundial e desafiam reguladores eleitorais. Pesquisas indicam que eleitores recorrem a modelos como ChatGPT e Gemini para obter orientação de voto. Especialistas alertam para riscos de desinformação e viés.
Estudos em diferentes países mostram variações no impacto. Na Holanda, eleições de 2025 revelaram que 10% dos eleitores seguiriam recomendações de chatbots, e 13% poderiam considerar a sugestão. Entre 18-34 anos, 17% aceitam a indicação, 18,5% diriam talvez, enquanto acima de 55 anos demonstraram menor propensão.
No Chile, eleições de fim de 2024 apontaram que 27% abordaram o pleito via plataformas, chegando a 44% em grupos com maior poder econômico. Em 2024, MIT acompanhou 2.400 eleitores que conversaram com IA perto do dia da eleição presidencial dos EUA. Resultados mostraram deslocamentos entre apoiadores de Trump e Harris conforme o modelo utilizado.
Desempenho e falhas dos modelos
Na Holanda, a maioria das sugestões atendeu a apenas dois partidos, com 80% das recomendações mirando um dos dois. Um dos partidos citados foi o Partido pela Liberdade, liderado por Geert Wilders, ao lado do GroenLinks–PvdA. Pesquisadores não explicaram o motivo da concentração de respostas.
A pesquisa do MIT indicou que o ChatGPT 3.5 apresentou 30% de informações políticas incorretas, enquanto a versão 4 reduziu para 14%. Fabro Steibel, diretor-executivo do ITS Rio, afirma que erros são previsíveis, dado o objetivo dos chatbots de responder, não necessariamente com a maior acurácia.
Implicações para o processo eleitoral
Especialistas destacam que o uso político de chatbots tende a crescer com a integração dessas ferramentas no cotidiano. Os bots podem se tornar lugares de confiança, o que pode levar políticos a explorarem esse canal para influenciar eleitores. Contudo, o viés ideológico pode gerar maior atenção pública.
No Brasil, a percepção de impacto é acompanhada por dados nacionais. Ipsos aponta que 79% dos usuários de IA no país recorrem à tecnologia para aprendizado, incluindo política e economia. A DW Brasil testou ChatGPT, Gemini e Grok com cenários eleitorais em São Paulo, observando variações de intervenção entre os modelos.
Regulamentação, responsabilidade e equilíbrio
A Justiça Eleitoral sinaliza instrumentos para enfrentar distorções digitais, incluindo uso de IA. Medidas sobre deepfakes, remoção de desinformação e transparência na IA vêm sendo debatidas. Plataformas que oferecem conteúdo personalizado apresentam desafios para normas tradicionais de moderação.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) atua para manter igualdade de condições entre candidatos, segundo Fabro Steibel. Especialistas sugerem tratar o tema junto às plataformas durante o período eleitoral, com base no Marco Civil da Internet. O foco é orientar fontes que alimentam as respostas dos chats.
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