- EUA são, há décadas, maior fornecedor de ajuda militar a Israel, mas a continuidade desse apoio começa a ser questionada.
- Primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse ao Economist que pretende reduzir a ajuda nos próximos dez anos até chegar a zero, com negociações de um novo pacote de dez anos iniciadas para 2029.
- O apoio bipartidário na América tem esfriado, com oposição de setores republicanos e especialmente de Donald Trump, que critica o valor da ajuda.
- Netanyahu busca manter a defesa israelense robusta diante de estoques baixos e ameaças regionais, propondo elevar gasto militar em oitenta bilhões de dólares na próxima década, para seis por cento do PIB.
- O caminho provável é uma redução gradual de concessões em dinheiro, substituídas por projetos de desenvolvimento conjunto, como os sistemas de defesa David’s Sling, Arrow e o Iron Beam, em vez de doações diretas.
Em meio a debates intensos, a viabilidade do maior programa de ajuda militar dos EUA para Israel volta ao centro da agenda política. O temor é de que o pacote de assistência, vigente há décadas, passe a enfrentar resistência e até mudanças estruturais nos próximos anos. A discussão acompanha mudanças no cenário político de Washington e em Jerusalém.
O premiê Benjamin Netanyahu sinalizou a possibilidade de reduzir gradualmente a ajuda nos próximos 10 anos, conforme entrevistas e relatos de bastidores. O tema ganhou força com reuniões para um novo pacote de 10 anos previsto para entrar em vigor em 2029, em meio a pressões de vários setores políticos.
Israel recebe hoje menos de 1% do PIB em ajuda militar, valor que contrasta com o passado em que o apoio representava parcela expressiva da economia. O foco da discussão é se o país, com orçamento robusto, deve financiar sua defesa majoritariamente com recursos próprios ou manter parte substancial da ajuda externa.
A opinião pública norte-americana tem ficado menos favorável à continuidade do auxílio militar. Pesquisas recentes indicam queda no apoio à assistência a Israel entre democratas e independentes, agravada por tensões regionais e pela percepção de custos versus benefícios.
No cenário político interno dos EUA, o tema surge como ponto sensível entre atores de espectros distintos. Enquanto alguns defendem a continuidade do apoio, outros defendem ajustes, incluindo a ideia de substituição parcial por cooperação em pesquisa e desenvolvimento militar conjunto.
Entre propostas, destaca-se a visão de que o financiamento possa evoluir para acordos de cooperação tecnológica, com Israel mantendo compras de equipamentos dos EUA. Há também possibilidades de acordos de longo prazo para oferecer maior previsibilidade às partes.
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