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Senador italiano questiona deputado que entregou Zambelli à polícia

Senador italiano questiona governo sobre a localização de Carla Zambelli em Roma e possível vazamento de dados, enquanto o processo de extradição avança

Carla Zambelli, em um apartamento em Roma, momentos antes de ser presa em julho
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  • O senador italiano Angelo Bonelli é alvo de questionamento formal no Senado sobre como a brasileira Carla Zambelli foi localizada em Roma, em julho de 2025, com a prisão ocorrendo após informações de “uma pessoa”.
  • O texto do questionamento não cita nomes, mas Bonelli afirmou ser quem recebeu a acusação de vazamento de informações e afirmou ter cumprido seu dever cívico.
  • A interpelação, dirigida aos ministros da Justiça, do Interior e das Relações Exteriores, questiona a origem dos dados, possíveis contatos com autoridades brasileiras e acesso a arquivos reservados.
  • A Corte de Apelação de Roma marcou para 10 de fevereiro a decisão sobre o pedido de defesa de Zambelli para trocar o colegiado responsável pela extradição, com julgamento de mérito previsto para 11 de fevereiro; se negado, há recurso à Corte de Cassação.
  • O Supremo Tribunal Federal condenou Zambelli a dez anos de prisão por contratar um hacker para inserir mandado de prisão falso contra Alexandre de Moraes e a cinco anos e três meses por porte de arma; ela renunciou ao mandato em dezembro.

O senador italiano Angelo Bonelli está no centro de um questionamento formal no Senado da Itália, aberto para esclarecer a participação dele na localização da ex-deputada brasileira Carla Zambelli em Roma, em julho de 2025. O caso envolve a prisão da parlamentar, acusada de crimes ligados a ações eleitorais no Brasil, e o papel que teria sido desempenhado por autoridades italianas e por terceiros não identificados.

O pedido de esclarecimentos partiu de Matteo Gelmetti, senador do Fratelli d’Italia, partido da primeira-ministra Giorgia Meloni. Segundo o documento, a prisão de Zambelli ocorreu após informações de uma fonte não identificada que teriam permitido localizar a deputada no país. Bonelli afirmou, em entrevista, ser alvo do questionamento, mas diz ter cumprido seu dever cívico ao colaborar com as autoridades.

O texto do questionamento, entregue aos ministros da Justiça, do Interior e das Relações Exteriores, aponta que não há nomes citados no relatório público. A fala de Gelmetti aponta ainda a possibilidade de que haja contatos com representantes brasileiros e o acesso a arquivos reservados. A interpelação parlamentar foi tornada pública nesta manhã, tendo sido protocolada em 28 de janeiro, marcando a primeira manifestação formal de Gelmetti sobre o caso, mesmo com Zambelli já detida há mais de seis meses.

Mudanças de tema e desdobramentos jurídicos

A interpelação também aborda críticas levantadas ao processo brasileiro envolvendo Zambelli. O senador sustenta que houve supostas anomalias processuais e menciona o que classifica como excesso de atribuições de funções pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, segundo ele, atuando como vítima, relator, julgador e executor da pena. Questiona ainda se há risco de violação de direitos humanos caso haja extradição para o Brasil e cobra uma posição clara do ministro da Justiça italiano sobre a possibilidade de negar o pedido.

A defesa de Zambelli focaliza a data de julgamentos no calendário italiano. A Corte de Apelação de Roma marcou para 10 de fevereiro a decisão sobre o pedido de substituição do colegiado responsável pelo processo de extradição. Isso ocorre um dia antes da audiência de mérito, marcada para 11 de fevereiro. Caso o pedido seja negado, a defesa pode recorrer à Corte de Cassação.

O advogado da ex-parlamentar explicou os riscos de coincidência entre prazos: se a 4ª Seção Penal decidir pela extradição em 11 de fevereiro, e a Cassação acolher o recurso, a decisão de extradição pode ser anulada. O tema envolve também a situação dos recursos e o andamento do processo de extradição no Judiciário italiano.

Contexto das condenações e da situação atual de Zambelli

O Tribunal Superior Federal (STF) do Brasil condenou Carla Zambelli em duas ações, com trânsito em julgado, o que aciona automaticamente o cumprimento das penas. Ao todo, são dez anos de prisão por contratação de hacker para inserir um mandado de prisão falso contra Alexandre de Moraes, e cinco anos e três meses por porte de arma e perseguição a um homem, em 2022, no período anterior à eleição presidencial.

Zambelli renunciou ao mandato em dezembro de 2025, após a Câmara manter o mandato aprovado pela CCJ. O STF anulou a sessão que salvou a parlamentar e Zambelli apresentou carta de renúncia. Em outubro anterior, o Ministério Público italiano já manifestou apoio à extradição da brasileira.

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