- O governo argentino criou a Oficina de Resposta Oficial, vinculada à Secretaria de Comunicação, para desmentir mentiras e expor operações dos meios de comunicação.
- A iniciativa foi anunciada pelo presidente em redes sociais e tem à frente Juan Pablo Carreira, diretor de Comunicação Digital da Presidência.
- A medida surge em meio a atritos entre o governo de Milei e a imprensa, com críticas sobre retórica hostil contra jornalistas.
- Organizações como Human Rights Watch e o FOPEA divergem, apontando riscos de o governo atuar como um “tribunal da verdade” e questionando sua função.
- A ofensiva acompanha ações prévias do governo, como a suspensão de publicidade oficial e o fechamento da agência de notícias Télam, além de debates sobre reformas na área de comunicação.
O governo argentino criou e ativou nesta quinta-feira a Oficina de Respuesta Oficial, vinculada à Secretaria de Comunicação da Casa Rosada. A função é desmentir mentiras e desvelar operações de meios de comunicação, segundo anúncio do presidente pelas redes sociais. A medida ocorre num cenário de atrito entre o governo e a imprensa.
A iniciativa foi apresentada num contexto de críticas de organizações de direitos humanos, que apontam uso de retórica hostil para estigmatizar jornalistas. A criação da oficina foi divulgada por meio de um post no X, com o objetivo de que a desinformação tenha resposta oficial e que a verdade retorne como informação.
A identidade do responsável pela oficina é o diretor de Comunicação Digital da Presidência, Juan Pablo Carreira. O anúncio oficial afirma que o órgão atuará ativamente para desmentir boatos, apontar falsas afirmações e evidenciar operações de mídia, bem como a atuação política associada.
Reações e críticas
Milei e ministros elogiaram a iniciativa, com a defesa de que jornalistas que não atuem com responsabilidade enfrentarão uma resposta oficial. Críticos compararam a medida a narrativas autoritárias e lembraram de iniciativas similares em outros ambientes políticos, que geram preocupação sobre liberdade de imprensa.
O Fórum de Periodismo Argentino (Fopea) rejeitou a criação, afirmando que o governo não pode se converter em tribunal da verdade. A resposta inicial da oficina foi a uma matéria do jornal Clarín sobre a transformação de planos sociais em programas de capacitação, considerada pela nova pasta como operação enganosa.
Contexto institucional e opiniões técnicas
Especialistas observam que a transparência em informações públicas é essencial, mas destacam desconfianças sobre a finalidade da nova oficina. Alguns analistas lembram que o governo jáRestrinuiu o acesso à informação pública e atua com reformas que afetam a atuação dos jornalistas. A avaliação é de que a relação entre poder e imprensa pode ganhar contornos de controle de narrativa.
Relatos de especialistas
A visão de um professor de direito à informação aponta que a criação da oficina pode não apontar para busca de verdade, mas para impor uma visão oficial. O analista sugere cautela quanto aos impactos na independência jornalística e na liberdade de expressão. Desse modo, o tema permanece em debate público e técnico.
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