- Na manhã de 5 de fevereiro, um café entre Gilberto Kassab, do PSD, e sete representantes da federação PSDB-Cidadania na Alesp confirmou o êxodo tucano.
- A partir de 4 de março, seis deputados estaduais do PSDB e um do Cidadania devem se filiar ao PSD, encerrando a presença da federação com a terceira maior bancada na Alesp.
- O PSDB, criado por dissidência paulista, manteve hegemonia em São Paulo até 2022, quando o governo saiu das mãos tucanas com a eleição de Tarcísio de Freitas, e sofreu queda nas eleições municipais de 2024.
- Com a migração, a bancada na Alesp passa a ter quatro membros (duas do PSDB e duas do Cidadania), igualando MDB e PSB na oitava posição.
- Uma das remanescentes do PSDB, a deputada Carla Morando, informou que também deixará o partido, embora ainda não tenha decidido o destino; no Cidadania, Ana Carolina Serra afirmou não pensar em mudança de legenda por ora.
Na manhã desta quinta-feira, 5, um encontro entre Gilberto Kassab, do PSD, e sete representantes da federação PSDB-Cidadania na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) definiu a debandada de lideranças tucanas para o PSD. O movimento deve se consolidar a partir de 4 de março, quando os parlamentares deverão se filiar ao novo partido. A federação, que já foi a terceira maior bancada da Alesp, passa a perder espaço significativo.
A operação envolve seis deputados do PSDB e um do Cidadania. A saída reduz a bancada da federação a quatro membros na Assembleia, com dois do PSDB e dois do Cidadania, equiparando-se a outras siglas como MDB e PSB. A mudança marca o fim de décadas de predomínio tucano na política paulista, sobretudo após o fim da hegemonia que durou até 2022.
Contexto e impactos
O PSDB nasceu em São Paulo durante a Constituinte de 1988 com fortes ligações ao estado, tendo lideranças históricas paulistas. Em 1994 o partido elegeu o governador por sete mandatos consecutivos. Em 2022, a derrota para o atual governo mostrou fragilização crescente, agravada por disputas internas entre lideranças. A debandada ocorre em meio a uma janela partidária que promete redefinir composições da Alesp para os próximos quatro anos.
No cenário estadual, o PSD de Kassab assume força ao atrair quadros da antiga base tucana, enquanto o PSDB planeja reorganizar-se. A direção do PSDB-SP afirmou que há desejo de reconstruir um projeto de centro, com novos nomes ganhando espaço. Em oposição, uma deputada tucana remanescente, mencionada como ainda indecisa, não confirmou o destino político.
O que muda na Alesp
Com a migração, a federação deixa de ter a terceira maior bancada, abrindo espaço para realinhamentos e novas dinâmicas de poder na Casa. A eleição para a Mesa Diretora, que já contava com representantes de outras siglas, pode sofrer impactos conforme a distribuição de força entre os blocos. A composição para o próximo mandato será definida após as eleições de outubro.
O PSDB divulgou nota destacando que a saída não encerra o papel da legenda, que passa por um processo de transformação e busca fortalecer seu projeto nacional de centro. O texto ressalta que, apesar das saídas, novos quadros devem ingressar e contribuir para a reconstrução de propostas políticas.
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