- Kassab não aposta em prévias internas e trabalha com coalizões e trocas de apoio para definir o rumo do PSD nas eleições de 2026, mantendo espaço para diferentes alianças.
- O PSD passou a ter três nomes considerados presidenciáveis, após filiações de Ronaldo Caiado, além de Ratinho Júnior e Eduardo Leite; Lyra havia migrado do PSDB antes.
- O partido mantém a estratégia de “geometria variável”, ou seja, distribui influência entre esquerda e direita conforme o cenário, sem se prender a uma única linha ideológica.
- O plano “a” de Kassab era apoiar Tarcísio de Freitas como candidato a presidente, com possibilidade de Kassab disputar o governo de São Paulo; esse plano foi dificultado pela iniciativa de Bolsonaro de lançar Flávio Bolsonaro.
- Além dos governadores de Paraná, Rio Grande do Sul e Goiás, o PSD busca palanques em Minas Gerais, Sergipe e Pernambuco para fortalecer a posição nacional, mantendo a rede de apoio como fator estratégico para 2026.
Ao longo de 2025 e início de 2026, o PSD tem adotado uma estratégia de contenção de perdas e expansão de influência para as eleições de 2026. O objetivo é manter filiados-chave em posição de força, ainda que sem definir, de imediato, o nome que encabeçará a chapa presidencial. A leitura mais comum entre especialistas é de que Kassab busca robustecer a base de apoio do partido antes de qualquer decisão.
Entre os movimentos relevantes, o PSD atraiu dois governadores tucanos, incluindo Ronaldo Caiado, de Goiás, que passou a integrar o bloco de presidenciáveis considerados pelo partido. Com isso, a sigla passou a contar com três nomes com potencial para disputar o Planalto. Ratinho Júnior, do Paraná, já figurava entre as possibilidades há cerca de um ano.
Em maio de 2025, Kassab fez outra jogada ao captar Raquel Lyra, de Pernambuco, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, ambos ex-PSDB, fortalecendo o núcleo que pode compor alianças nacionais. A estratégia atual não prevê prévias internas para escolher o cabeça de chapa, adotando, em vez disso, a via de articulação política e de acordos para compor palanques.
Com plano “a” frustrado, Kassab ajusta a estratégia
A perspectiva de apoiar Tarcísio de Freitas, atual governador de São Paulo, como candidato presidencial foi colocada em segundo plano após a interferência de Bolsonaro, que lançou o nome do filho Flávio como pré-candidato, influenciando o cenário paulista. A disputa interna também envolve a definição de eventuais cargos e apoios para vice.
Analistas descrevem a atuação como “geometria variável”: o PSD não centraliza todas as fichas em uma única aposta, distribuindo influência conforme o contexto. A ideia é manter portas abertas para composições com diferentes espectros políticos, conforme o resultado das eleições.
Palanque estadual como base do plano
Kassab tem mantido o PSD com palcos em estados relevantes para o cenário nacional. Governadores, prefeitos e lideranças locais são usados para sustentar redes de apoio que possam influenciar o pleito presidencial. Minas Gerais, segundo analistas, é especialmente estratégico pela relevância do colégio eleitoral.
O partido já conta com o apoio de governadores como Ratinho Junior, Leite e Caiado, além de nomes em Sergipe e Pernambuco. Ao mesmo tempo, há a continuidade de negociações para manter a força do PSD em outros estados, reforçando a rede de alianças.
O que está em jogo e o que pode mudar
O movimento de Kassab reforça o papel do PSD como articulador político, não apenas como protagonista de uma campanha única. A estratégia visa consolidar posições que permitam influência decisiva na definição do próximo presidente, caso o bloco avance para o segundo turno.
Especialistas ressaltam que a força do PSD está na capilaridade eleitoral e na capacidade de negociar posições de poder nos estados. Mesmo sem uma candidatura única, o partido pode ser crucial na formação de alianças que definam o cenário nacional em 2026.
Entre na conversa da comunidade