- Em 1984, Donald Trump já mostrava interesse em acordos de controle de armas nucleares entre Estados Unidos e União Soviética.
- Nos anos recentes, o governo de Trump viu o declínio gradual dos acordos pós‑Guerra Fria, com o (novo) fim efetivo do New START com a Rússia.
- Em um mundo multipolar, a utilidade de acordos bilaterais entre EUA e Rússia é limitada diante do crescimento de China e de novas tecnologias.
- O texto aponta que o desafio atual não é apenas técnico, mas encontrar formas de limitar riscos, aumentar transparência e mitigar crises — possivelmente com foco em áreas adjacentes como cibersegurança e IA.
- O autor defende a necessidade de um presidente com a visão de sua juventude para abrir espaço a novos processos de controle de armas, mesmo que o modelo não seja o das décadas passadas.
Donald Trump teve, no início da carreira, um interesse marcado por acordos de controle de armamentos entre EUA e URSS. Em 1984, ele era um empresário de Nova York, e uma matéria do Washington Post o descrevia como fascinado pela ideia de negociar novos tratados de controle nuclear.
Na época, Trump ainda tinha 38 anos e manifestava a visão de um jovem pragmático na área de segurança. Ele dizia acreditar que a questão nuclear era central para a estabilidade global e que possuía uma habilidade natural para negociações, segundo relatos da época.
Essa inclinação, que hoje parece contrastar com a trajetória recente do Executivo, faz parte de um período que viu o surgimento de grandes acordos de fim da Guerra Fria, como INF e START I. A história aponta para a influência dessas negociações na arquitetura de controle de armas que se formou ao longo das décadas.
Contexto histórico do controle de armas
Nos anos 80, a relação entre as lideranças dos EUA e da União Soviética avançou com negociações que reduziram arsenais e buscaram maior transparência. Reagan e Gorbachev lideraram esse momento de aproximação, ainda que marcado por tensões estratégicas.
A partir de 2000, o desenho foi se tornando mais complexo e de implementação lenta. O acordo New START, renovado por cinco anos pela Administração Biden, expirou recentemente, elevando dúvidas sobre a continuidade dos limites entre as duas potências.
Desafios da era multipolar
O cenário atual envolve a ascensão da China e o uso de arsenais cada vez mais sofisticados. O Pentágono estima que a China possa chegar a mil ogivas até 2030, o que complica a lógica dos acordos baseados em números e cria dilemas sobre deter dois adversários simultaneamente.
Críticas ao formato bilateral tradicional aparecem, com argumentos de que futuros acordos deveriam incluir a China. Entretanto, a falta de interesse de Pequim em restrições pode tornar inviável um acordo trilateral, ampliando a incerteza sobre limitações futuras.
Perspectivas para a governança nuclear
Apesar das dificuldades, analistas afirmam que é possível imaginar uma nova era de controle de armas, ainda que diferente do modelo anterior. Em vez de tratados rígidos, pode haver foco em redução de riscos, transparência e cooperação em áreas adjacentes, como capacidades cibernéticas e uso de inteligência artificial no espaço nuclear.
Especialistas também consideram que acordos de comportamento entre grandes potências, com foco em mitigação de crises, podem ganhar relevância diante de umpadrão de competição internacional mais intenso. O desafio é encontrar instrumentos políticos aceitáveis para todas as partes.
O que se manterá em aberto
As mudanças envolvem não apenas o formato dos acordos, mas quem é incluído neles. A China permanece como variável central, e a forma de incorporar o país aos acordos de controle nuclear continua sendo debatida entre estrategistas e diplomatas. A pergunta é como estruturar limitações eficazes sem exigir compromissos inviáveis.
A narrativa histórica aponta que, mesmo com retrocessos, a ideia de controle de armas não está esgotada. A sugestão é buscar uma leitura moderna, com menos foco em caps de armas dispostas de forma rígida, e mais em estabilidade, transparência e gestão de crises entre potências.
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