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Um dia agitado para os negociadores dos EUA

Negociadores dos EUA em Genebra enfrentam dois frontes: acordo com o Irã e conversas Rússia-Ucrânia, com avanços limitados e advertências de Washington

The Iranian and Swiss delegations sit on opposite sides of a table for indirect nuclear negotiations in Geneva.
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  • Na manhã de terça, negociações indiretas entre EUA e Irã em Genebra duraram cerca de três horas, com uma “compreensão geral” de princípios e promessa de trocar rascunhos de um possível acordo.
  • À tarde, os EUA participaram de talks trilaterais com Ucrânia e Rússia, mas as conversas pareceram menos produtivas e não houve desfechos.
  • O presidente dos EUA apontou que o Irã precisa fechar um acordo com Washington sob o risco de ataque, em meio ao reforço militar dos EUA na região, incluindo a saída de um segundo porta-aviões.
  • Washington pressiona que qualquer acordo inclua restrições ao programa nuclear iraniano, aos mísseis balísticos e ao apoio de milícias na região; Teerã quer manter foco apenas no nuclear.
  • O estreito de Hormuz foi parcialmente fechado pelo Irã para exercícios de fogo, a primeira vez que o grupo anunciar tal fechamento desde o início da mobilização militar dos EUA, durante as negociações.

Na manhã de terça-feira, diplomatas dos EUA retomaram conversas indiretas com Irã sobre o programa nuclear, em Genebra. Os encontros, realizados na residência de um embaixador omanense, tiveram duração de cerca de três horas e terminaram com uma compreensão geral de princípios a guiar negociações, segundo autoridades iranianas.

Logo após, os representantes norte-americanos foram para novas conversas trilaterais com Rússia e Ucrânia na cidade suíça. As negociações, ainda segundo relatos, não avançaram tanto quanto as anteriores e não houve anúncio de acordo imediato.

Progresso difícil nas negociações

As negociações entre Estados Unidos e Irã buscam limitar o enriquecimento de urânio e conter o avanço de mísseis balísticos, além de restringir o apoio de Teerã a milícias na região. Irã insiste que as discussões se concentrem no programa nuclear, enquanto Washington defende condições que incluam restrições também a mísseis e ao apoio a grupos.

O mínimo compromisso anunciado envolveu a promessa de troca de drafts de um eventual acordo, segundo o chanceler iraniano. O Irã afirmou que não fará concessões de enriquecimento sem alívio de sanções, e o regime reforçou a disposição de se defender de eventuais agressões.

O chefe da diplomacia iraniana avaliou as conversas de forma mais construtiva do que um encontro anterior, chamado Oman 2026, e afirmou que há um caminho claro pela frente, ainda que as partes admitam que um acordo rápido é improvável. O líder Supremo iraniano também criticou a demanda de limitarem-se arsenais de mísseis, classificando a exigência como ilógica.

Paralelamente, o Irã anunciou que parte do Estreitinho de Hormuz foi fechado temporariamente para exercícios militares, maior sinal de sua postura de defesa, em meio às negociações e à tensão regional. A medida marca uma escalada diplomática e estratégica sem precedentes recentes.

Avanços e perspectivas de continuidade

Após as tratativas com o Irã, os EUA participaram de diálogos com autoridades da Rússia e da Ucrânia. O foco principal ficou em questões territoriais, com Moscou buscando concessões verificáveis de Kyiv. A Ucrânia, por sua vez, manteve posição contrária a grandes cessões de território.

As conversas em Genebra ocorrem menos de uma semana antes de marcar o quarto ano da guerra entre Rússia e Ucrânia. O contato ocorreu em meio a ataques russos recentes que atingiram infraestrutura de energia na Ucrânia, agravando o frio da região e o impacto sobre a população civil.

Autoridades ucranianas manifestaram preocupação com a intensidade das ofensivas russas e com o impacto sobre negociações de paz, enquanto aliados próximos de Trump defenderam pressa para levar Kyiv às mesas de negociação. O desenrolar das negociações permanece sem anúncio de novas etapas.

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