- O PSD, liderado por Gilberto Kassab, tenta ocupar o espaço do antigo PSDB, mas se aproxima da direita e do bolsonarismo em vez de manter neutralidade.
- A matéria analisa que o centro é moldado pelas forças hegemônicas e que a ideia de terceira via tem favorecido a criminalização de discursos de esquerda e a normalização da ultradireita.
- O projeto do PSD envolve defender pautas de direita, como educação militarizada e redução do Estado, buscando conciliar centro com linguagem tradicional da direita.
- Há aproximações reiteradas entre Kassab, Caiado e Ratinho Júnior com o bolsonarismo, o que evidencia mais afinidade com a ultradireita do que com o PT.
- O texto aponta que, pela primeira vez desde 2015, parte da direita tradicional conversa publicamente com a esquerda, sugerindo mudanças nas alianças, mas sem surgir uma verdadeira terceira via ou centro consolidado.
O PSD avança como alternativa ao antigo eixo tucano, em um cenário em que o centro político parece mais caro e mais à direita para combinar com as forças que disputam o poder. A leitura aponta para um projeto que pretende ocupar o espaço do centrismo, hoje sob pressão de ultradireita e direita tradicional.
A análise indica que o partido de Gilberto Kassab transitou entre ausência de identidade firme e defesa de pautas de direita, como educação militarizada, punitivismo e redução do Estado. O objetivo é conciliar um centrismo tímido com linguagens herdadas da direita.
Nesses movimentos, o PSD é apresentado como veículo institucional para a construção de um campo político alternativo. A articulação envolve apoio à agenda de moderção econômica, sem abrir mão de uma agenda de segurança pública mais rigorosa.
A partir de entrevistas com lideranças, observa-se uma preferência clara pelo bolsonarismo entre parte do espectro alinhado ao PSD, com contatos frequentes de figuras como Ronaldo Caiado e Ratinho Júnior. A relação com o PT é tratada como menos próxima do que com a ultradireita.
Essa configuração sugere que o centro, na prática, depende das lógicas de poder que predominam no momento. Em tempos de discursos fortemente adversos à democracia, adotar neutralidade não equivale a evitar riscos de erosão institucional.
O que há de novo no movimento de Kassab
O movimento do PSD aponta pela primeira vez desde 2015 para abrir canais de diálogo com a esquerda em nível nacional, indicando uma ruptura com a linha de aliança exclusiva com a direita tradicional. A reforma do discurso sinaliza uma tentativa de desidratar a ultradireita.
O quadro descreve uma direita tradicional que, segundo a análise, funciona hoje como sócia menor de uma coalizão de ultradireita ligada a aliados da família Bolsonaro. O desafio é manter a coesão diante de lideranças de diferentes matizes.
Embora haja incertezas sobre o candidato de direita que emergirá, o movimento já revela uma fresta de isolamento da extrema-direita na política brasileira. Não representa, porém, a construção de uma terceira via consolidada.
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