- Desde a sua fundação, os EUA adotaram a ideia de “destino manifesto” e passaram a expandir território e influência geopolítica ao longo dos séculos.
- A Doutrina Monroe, em mil oitocentos vinte e três, validou intervenção nos países das Américas; a anexação de território mexicano após a Guerra com o México ampliou o país.
- No final do século dezenove, intervenções no Pacífico e no Caribe, após a Guerra Hispano‑Americana de mil oitocentos noventa e oito, marcaram o caminho para o imperialismo.
- Durante a Guerra Fria, a CIA passou a atuar mundialmente para influenciar governos e eleições; o intervencionismo na América Latina incluiu episódios como a Crise dos Mísseis em Cuba e a repressão regional.
- Após os ataques de mil e onze, a Guerra ao Terror intensificou intervenções no Afeganistão, Iraque e outras regiões; sob Donald Trump houve uma reconfiguração estratégica com o Corolário Trump, alimentando debates sobre um possível império em decadência frente à ascensão da China.
Desde a fundação, os EUA se apresentaram como uma nação com destino definido eExpansionismo velado. Este texto traça a trajetória de ideias, guerras e interesses que moldaram a formação do país e ajudam a explicar intervenções e pressões atuais.
Especialistas apontam que o país consolidou-se como ator geopolítico de peso ao longo de séculos, mantendo uma presença militar global expressiva e uma agenda de influência econômica e cultural em várias regiões. O debate envolve a relação entre identidade nacional e práticas de poder, com impactos sobre populações locais e soberanias nacionais.
Escolhidos por Deus
As Treze Colônias nasceram em clima de conflitos religiosos. Protestantes puritanos buscaram liberdade de prática, fortalecendo uma visão de nação destinada a expandir seus valores. Em 1776, as colônias declararam independência, com a expansão territorial desde o início do projeto nacional. Thomas Jefferson defendia uma América que se expandiria pela região, governando-se por leis semelhantes.
A expansão ganhou impulso com a Compra da Louisiana, em 1803, ampliando o território dos EUA para cerca de 2,14 milhões de km². A ocupação de terras trouxe benefícios econômicos, mas gerou deslocamento de povos originários, cuja população caiu drasticamente entre o início da colonização e o fim do século XIX.
América para os estadunidenses
Em 1823, a Doutrina Monroe deixou claro que qualquer intervenção europeia na América seria tratada como agressão aos EUA. Esse marco foi acompanhado de uma ideia de “América para americanos”, o que agradou Estados latino-americanos recém-independentes, mas abriu espaço para intervenções.
Em 1846, durante a presidência de James Polk, houve guerra com o México e a anexação de grande parte do território mexicano. A expansão enfrentou tensões internas, com o Norte industrial e o Sul escravista, culminando na Guerra Civil e na industrialização posterior.
O grande porrete
O peso da Doutrina Monroe ganhou uma nova versão em 1904, com o Corolário Roosevelt, que autorizava intervenções em países vizinhos sob a justificativa de desordem. A prática ficou conhecida pela participação dos EUA na chamada Guerra das Bananas, entre 1913 e 1921, com intervenções em vários países da região para proteger interesses de empresas norte-americanas.
Bons amigos
A crise de 1929 levou a nova postura de boa vizinhança, com diplomacia e cooperação regional ganhando espaço. A turnê de Walt Disney pela América do Sul, financiada pelos EUA, simbolizou o uso do soft power. A Segunda Guerra Mundial consolidou o domínio norte-americano, ainda que tenha desencadeado resistências da União Soviética, iniciando a Guerra Fria.
O fantasma do comunismo
Com a criação da CIA em 1947, os EUA passaram a atuar com operações encobertas para influenciar eleições e apoiar golpes em várias regiões. A intervenção ocorreu na Coreia, Vietnã, Irã e na América Latina, incluindo o Brasil, onde a Operação Brother Sam apoiou o golpe de 1964. A Crise dos Mísseis de 1962 destacou o risco nuclear.
Guerra ao Terror
Após o 11 de setembro, a Guerra ao Terror justificou intervenções preventivas em Afeganistão, Iraque, Iêmen, Líbia, Somália e Síria. Barack Obama participou de ações militares, mesmo com a premiação do Nobel da Paz, demonstrando continuidade entre administrações republicanas e democratas.
Império decadente?
Em 2025, Trump lançou uma estratégia nacional que incorporou um Corolário Trump à Doutrina Monroe, anunciando que potências estrangeiras não deveriam desafiar a presença dos EUA no hemisfério. A China em ascensão complexifica a margem de manobra norte-americana, e observadores apontam sinais de desgaste de um império que ainda domina economia e poder militar. A situação Venezuela ilustra realinhamento regional, com maior integração a atores fora dos EUA. A leitura de especialistas diverge: para alguns, o país permanece dominante; para outros, enfrenta limitações cada vez mais relevantes.
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