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Luta pelo poder no Irã após massacre

Após os protestos, o regime iraniano intensifica purga interna, fortalecendo a linha dura e neutralizando figuras reformistas em meio à crise de liderança e economia

A senior Iranian military official approaches Iran’s Supreme Leader Ayatollah Ali Khamenei during a graduation ceremony at Shahid Sattari Air Force Academy in Tehran, Iran, on October 24, 2007.
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  • Protestos começaram no dia 28 de dezembro entre comerciantes do bazar de Teerã, atingindo o pico em sete e oito de janeiro, com repressão que deixou pelo menos 6.506 mortos e bloqueio quase total da internet por semanas.
  • O regime classificou os acontecimentos como uma ameaça existencial e descreveu a repressão como necessária para “sufocar” o que chamaram de golpe, enquanto disputas entre facções do sistema se intensificaram.
  • As manifestações surgiram em meio a atritos econômicos, com sanções e crises cambiais que ampliaram a pobreza e a desilusão com o governo muçulmano, segundo analistas.
  • O governo realizou uma grande purge contra reformistas, prendendo líderes da Frente Reformista, em um movimento para cortar qualquer abertura a mudanças estruturais.
  • Observadores apontam que a purgação ocorre em meio a disputas internas sobre inflação, taxa de câmbio e continuidade das negociações nucleares, sinalizando tentativas de consolidar poder antes de uma possível sucessão de Khamenei.

O governo iraniano consolidou o poder após uma onda de protestos que começou no fim de dezembro e atingiu o ápice em 7 e 8 de janeiro. As manifestações foram duramente contidas, com o registro de milhares de mortes e um bloqueio quase total da internet por semanas, segundo a ONG Human Rights Activists News Agency. A repressão ocorreu em um contexto de crise econômica e insatisfação política.

Rivalidades internas dentro da República Islâmica moldaram a resposta ao movimento. Líderes de diferentes frentes disputam controle sobre a política econômica, externa e institucional do país. Observadores apontam que setores de inteligência teriam estimulado o início dos protestos, que se iniciaram entre comerciantes de Teerã. O tom utilizado pelo regime sinaliza uma luta pela legitimidade do governo.

Contexto econômico e político

A crise decorre de anos de dificuldades econômicas agravadas por sanções externas, inflação alta e desvalorização do rial. A massa de trabalhadores e a classe média sentiu o peso da austeridade, alimentando descontentamento com o status quo político. A tentativa de unificação de taxas de câmbio, anunciada pelo governo, elevou a demanda por dólares e pressionou ainda mais a moeda.

No âmbito político, o regime tem consolidado contatos internos e fortalecido posições de figuras próximas ao núcleo dominante. Entre os nomes em evidência estão membros do Conselho de Segurança Nacional e aliados próximos do líder, que buscam conter qualquer movimento organizado de oposição. Arrebanhamento de apoio dentro do aparato estatal amplifica a tática de repressão.

Paralelamente, autoridades têm prendido figuras da Frente de Reforma, principal corrente reformista há anos. Entre os detidos estão dirigentes do movimento, que havia buscado abrir espaço para reformas gerenciadas e, no passado, defendia a continuidade de negociações sobre o programa nuclear. A prisão de líderes reformistas indica esforço para isolar possíveis coordenações oposicionistas internas.

Antes da prisão, Ali Shakouri-Rad, ex-parlamentar, já havia alertado sobre a erosão do centro político credível, tema que ganhava relevância diante do acirramento das tensões. A fala mencionava a polarização crescente entre manifestantes e forças de segurança, apontando para o risco de ruptura institucional.

As autoridades também enfrentam dúvidas sobre a gestão de receitas petrolíferas mantidas no exterior e não repatriadas em tempo. Analistas veem nisso não apenas falha econômica, mas possível operação para desestabilizar o governo num momento de fraqueza geopolítica.

O quadro indica uma estratégia de neutralização de challengers internos antes que possam se consolidar. Alguns nomes com potencial de liderança dentro do complexo de poder aparecem fortalecidos, enquanto a ala reformista, pressionada, encara um novo ciclo de enfraquecimento institucional.

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