- A teoria de Ostrom, sobre bens comuns, é aplicada à União Europeia para explicar como países compartilham recursos e se protegem de esgotamento, mostrando que não é por gosto, e sim por interesse coletivo.
- O livro From Club to Commons defende que a UE não é um clube exclusivo: outsiders como Reino Unido, Noruega e Ucrânia também usam seus bens comuns, inclusive em segurança.
- Crises passadas, como a crise da dívida e a pandemia de covid-19, levaram a uma integração mais profunda, com compras conjuntas de vacinas e empréstimos para reconstrução, fortalecendo o mercado único.
- Desafios internos persistem: reformas são difíceis, alguns Estados retardam compromissos e a quebra parcial da união bancária persiste; há acordos com terceiros, como a Ucrânia, para defesa, telecomunicações e combate à corrupção.
- A ideia central é que a UE precisa de expansão externa e aprofundamento interno ao mesmo tempo, para evitar vulnerabilidades e manter seus bens comuns funcionando para todos.
Elinor Ostrom mostrou que recursos comuns exigem cooperação para evitar esgotamento. Em seu estudo, comunidades de vilarejos criam regras conjuntas por interesse comum. O livro analisa como esse conceito se aplica à União Europeia.
Nova leitura entre clubes e commons, o livro From Club to Commons: Enlargement, Reform and Sustainability in European Integration, de Erik Jones e Veronica Anghel, compara vilarejos a 27 estados membros que compartilham recursos. Entre eles, mercados, euro, defesa e áreas financeiras.
Os autores argumentam que a UE não é um clube fechado. Recursos comuns estão disponíveis a não membros, empresas e cidadãos. A cooperação externa amplia vínculos estratégicos, inclusive com Reino Unido, Noruega e Ucrânia, segundo o estudo.
Ironicamente, a UE enfrenta vulnerabilidades à medida que outsiders se tornam parte essencial. Crises passadas, como a crise do euro e a pandemia, exigiram integração acelerada para salvar o mercado único e manter a mobilidade.
A obra destaca que, apesar de avanços, há resistência interna. Países como Hungria diluem políticas e atrasam decisões, o que expõe a UE a riscos internos e externos e complica acordos com terceiros.
Para os autores, o futuro passa por reformas internas e cooperação externa simultâneas. A UE já atua nesse duplo movimento, com ajustes orçamentários, defesa comum e instrumentos contra pressões econômicas.
Conforme o livro, não há escolha entre ampliar fronteiras ou aprofundar políticas. A integração europeia depende de ambos os caminhos, em busca de evitar a “tragédia dos comuns” e manter benefícios compartilhados.
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