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Aumento de imposto sobre eletrônicos e queda de pesquisas afetam Planalto

Aumento da alíquota de importação de eletrônicos expõe fissuras no governo Lula e agrava desgaste entre ministérios e aliados

Presidente Lula fala durante entrevista — Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República
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  • O governo federal enfrenta divergências internas após o lançamento de uma nova alíquota de imposto de importação sobre eletrônicos, medida divulgada pela imprensa e alvo de críticas de aliados e opositores.
  • Pesquisas mostram queda ou estabilidade na aprovação de Lula, com quadro de divisão semelhante ao observado em janeiro e fevereiro, ampliando a pressão sobre o Planalto.
  • Houve recuo de um decreto que previa a concessão de três hidrovias na Amazônia (Tapajós, Madeira e Tocantins) após pressure de povos indígenas e protestos, com foco em evitar disputas semelhantes à crise do Pix.
  • O PL Antifacção gerou desgaste entre o governo e o PT, com divergências sobre como tratar o texto após aprovação, ainda que tenha sido apresentado como vitória com correções futuras.
  • Há mais tensões políticas relacionadas ao desgate com evangélicos e ao esforço do governo para preservar a coesão, buscando usar a aprovação de propostas como trunfo para melhorar a popularidade de Lula.

O governo Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta tensões internas após decisões que afetaram o cenário econômico e a gestão de políticas públicas. O aumento da alíquota do imposto de importação sobre eletrônicos foi apresentado como norma interna do MDIC, com participação da Fazenda, e ganhou contornos de nova pauta de atrito no Planalto. A reação pública misturou críticas sobre custo de aparelhos e mensagens de regulatório.

Ministros e auxiliares afirmaram ter tomado conhecimento do tema pela imprensa ou pela oposição, enquanto pleitos por definição rápida de políticas divergiam entre membros da equipe. Em meio ao desgaste, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu que o impacto no preço de dispositivos seria limitado, sinalizando continuidade da medida, mas com monitoramento de receptividade.

A ofensiva política acompanha quedas de aprovação do governo em pesquisas recentes. A Quaest aponta 49% de desaprovação e 45% de aprovação em fevereiro, diante de variação de 47% para 45% na aprovação. O cenário pressiona o Palácio do Planalto a buscar coesão entre aliados e reduzir ruídos.

Recuo em hidrovias e reação indígena

Na semana passada, o governo recuou de decreto que previa a inclusão de três hidrovias da Amazônia no Programa Nacional de Desestatização: Tapajós, Madeira e Tocantins. A decisão ocorreu após pressão de povos indígenas e ocupações ligadas a protestos contra a dragagem e o que foi visto como privatização de áreas ribeirinhas.

A tensão interna aumentou após protestos em Santarém (PA) e críticas a como o tema foi conduzido. Líderes indígenas contestaram o decreto e destacaram riscos à região. O episódio alimentou disputas entre membros do governo, com o deputado Guilherme Boulos defendendo a oposição a caminhos que possam ampliar conflitos na base.

Pl Antifacção e posicionamentos internos

No âmbito do PL Antifacção, desdobramentos mostraram divergência entre governo e PT sobre a condução do texto. A aprovação foi recebida com ressalvas no Planalto, que viu no resultado uma vitória estratégica, mas com espaço para correções futuras. Sidônio Palmeira liderou a linha de que as mudanças eram necessárias para fortalecer o combate ao crime organizado.

O governo enfrenta, ainda, desgate com gustação de apoio a certas propostas ligadas a segmentos conservadores, inclusive no Carnaval, o que tem sido citado entre aliados. A aposta atual é pela aprovação de medidas que possam melhorar a popularidade de Lula, mantendo debates sobre paternidade de propostas entre Planalto e bancada aliada.

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