- O Brasil recomenda cautela entre EUA e Irã diante dos ataques de Israel e dos EUA, com defesa de negociação como caminho para a paz.
- Especialistas destacam que o país tem interesses comerciais com os EUA e apoio recente a negociações sobre o programa nuclear iraniano, além de manter relação com o Irã por meio do BRICS.
- O Ministério das Relações Exteriores afirmou que o Brasil defende respeito ao direito internacional e contenção para evitar escalada.
- A possível reunião entre o presidente Lula e o ex-presidente Trump, nos EUA, é mencionada como possível, em meio a negociações de tarifas impostas pelos EUA em anos anteriores.
- No comércio com o Irã, o Brasil viu impactos indiretos caso o conflito se intensifique, já que o Irã é importador importante de soja e milho; em 2025, o comércio bilateral ficou em US$ 3 bilhões.
O Brasil precisa adotar cautela diante dos ataques dos EUA e de Israel ao Irã, neste sábado (28). A posição busca manter espaço para negociações, em meio a tensão regional e a prioridade de preservar acordos comerciais com os norte-americanos. O Irã é aliado do Brics, grupo ao qual o Brasil também pertence, o que influencia a leitura diplomática.
Especialistas ouvidos pela Agência Brasil destacam que a estratégia brasileira é favorecer o diálogo para evitar a escalada e proteger civis e infraestrutura. O governo emitiu comunicado condenando a ofensiva e defendendo negociações como caminho para a paz, mantendo a posição tradicional do Brasil na região.
Mesmo com o esforço diplomático, Washington realizou uma ofensiva militar contra alvos no Irã, enquanto Israel também efetuou ataques. O Irã reagiu lançando mísseis contra países vizinhos com bases americanas, segundo relatos. O país iraniano afirma que o desenvolvimento nuclear tem fins pacíficos.
Cautela
Feliciano de Sá Guimarães, professor da USP, defende uma posição intermediária entre Irã e EUA. Com o Irã integrado ao Brics, o Brasil precisa alinhar interesses comerciais com os norte-americanos e manter espaço para apoiar o Irã sem confronto aberto.
Há expectativa de encontro entre Lula e Trump nos EUA no fim de março. A negociação em pauta envolve tarifas de importação impostas por Washington no ano passado, com tarifas que chegaram a 50% em alguns itens. Pequenas progressões já ocorreram na retirada de alguns produtos da lista de tarifas.
A Suprema Corte dos EUA derrubou, em fevereiro, a política de tarifas imposta anteriormente por Trump, que havia buscado proteção econômica local. Analistas ressaltam que o Brasil pode precisar manter cautela para não enfrentar sanções ou atritos desnecessários.
Determinação dos povos
O Brasil integra o Brics, bloco que reúne países considerados Sul Global. A relação com Rússia e China, integrantes fundadores, é vista como forte; com o Irã, há uma relação menos intensa, porém relevante no cenário regional. A ideia de mudança da ordem internacional une os membros do grupo, segundo especialistas.
Williams Gonçalves, da Uerj, aponta que a cautela decorre da defesa da autodeterminação e da não ingerência. Ele afirma que o Brasil não pode apoiar intervenções que mudem sistemas políticos escolhidos pelo povo, mesmo em meio a pressões externas.
Crítica e negociação
Leonardo Paz Neves, da FGV, avalia que o Brasil tende a manter uma postura protocolar, criticando ataques, sem se envolver diretamente no conflito. Pode haver uma ênfase em manter a mesa de negociações com os EUA, sem assumir um alinhamento aberto com o Irã ou com os EUA.
Caso haja avanço diplomático, o Brasil deve manter uma posição institucional crítica, convidando Irã e EUA de volta às negociações. Pesquisadores destacam que o país tem muito a perder se se envolve de modo abrupto. A possível viagem de Lula aos EUA é vista nesse contexto.
Comércio com Irã
Especialistas indicam que a escalada pode impactar o petróleo, elevando preços e repercutindo na inflação. O Irã é importador relevante de produtos brasileiros, especialmente milho, soja e proteína. Em 2025, o comércio Brasil-Irã totalizou cerca de US$ 3 bilhões, com saldo positivo para o Brasil. O Irã é um dos principais destinos de exportação do milho brasileiro, seguido pela soja.
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