- O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, sugeriu que um alienígena avaliaria o Brasil pelo noticiário durante a abertura das celebrações pelos 135 anos da Corte.
- A provocação teve o objetivo de reclamar da suposta má vontade da imprensa com o STF e do que ele chamou de mudança de clima em relação à defesa da democracia.
- Mendes mencionou a reportagem da revista The Economist, que aponta uma crise no STF envolvendo contratos de consultoria, imóveis e vínculos com pessoas ligadas ao Banco Master.
- A matéria descreve situações como compras de resort, contratos milionários envolvendo a esposa de ministro e investigações sigilosas, além de festas entre políticos, empresários e magistrados.
- O texto afirma ainda que, segundo a reportagem, metade dos brasileiros pretendia votar em outubro em quem prometesse impeachment de ministros, refletindo a tensão entre governo, STF e imprensa; Mendes pediu reconhecimento da imprensa diante do cenário.
Durante a abertura das celebrações pelos 135 anos do Supremo Tribunal Federal, o ministro Gilmar Mendes abriu uma reflexão sobre o significado do tribunal para o Brasil, via uma pergunta inusitada sobre um alienígena que chegasse ao país e tentasse entender o STF pelo noticiário.
Mendes reclamou de suposto mau humor da imprensa em relação à Corte, afirmando que o clima mudou e despreza o papel da instituição na defesa da democracia nos últimos anos. Questionou onde ficaram as tropas de aplausos “midiáticos” ao STF desde a instância do inquérito das fake news.
Ele ainda sugeriu que a mudança de tom da cobertura poderia sinalizar uma visão desatualizada do papel do tribunal, apontando para um desgaste que, na leitura dele, não condiz com a atuação do STF nos últimos tempos.
Alienígena de Gilmar Mendes e a leitura da imprensa
Se o visitante extraterrestre quisesse entender o momento, poderia se basear em uma matéria da revista britânica The Economist. A reportagem aponta uma crise institucional de grandes proporções envolvendo o STF.
Segundo a publicação, haveria relatos de grandes valores chegando a ministros e parentes por meio de contratos de consultoria e negócios com pessoas ligadas ao Banco Master. A notícia descreve ainda compras de imóveis, contratos com parentes de ministros e operações que envolvem autoridades e empresários.
A matéria menciona também festas em Lisboa com a participação de políticos, magistrados e empresários, além de notificações sigilosas contra quem investiga esses esquemas. O texto indica que o cenário envolve controvérsias sobre transparência e accountability.
A Economist afirma que parte da população brasileira demonstra desejo de mudança, com boa parte da população já manifestando intenção de votar em outubro em propostas que defendam impeachment de ministros. O relatório indica um racha entre setores do governo, Tribunal e imprensa, que se intensificou desde a instalação do inquérito das fake news.
Mendes criticou a suposta má vontade da imprensa e pediu reconhecimento de seu trabalho. O debate, para ele, refletiria um choque entre defesa institucional e cobrança de apuração rigorosa pelo jornalismo.
O ministro concluiu insinuando que, caso o alienígena estivesse entre nós, encontraria dificuldades de retornar ao planeta com base no volume de informações percebidas como falsas ou polarizadas, ainda que a crítica ao STF tenha aumentado nos últimos anos.
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