- O governo dos Estados Unidos estaria preparando uma ação criminal contra a presidente interina Delcy Rodríguez, incluindo um rascunho de denúncia por corrupção e lavagem de dinheiro ligada à PDVSA, entre 2021 e 2025.
- A denúncia em draft está sendo montada pela Procuradoria dos EUA em Miami, que já informou verbalmente a Rodríguez sobre o risco de persecução caso não atenda às exigências americanas.
- Além da denúncia, autoridades dos EUA apresentaram a Rodríguez uma lista com pelo menos sete ex-funcionários de alto escalão e familiares, para prisão ou detenção com possível extradição.
- A ofensiva ocorre duas meses após a captura relâmpago de Nicolás Maduro, que foi extraditado para os Estados Unidos para julgamento, e Rodríguez surgiu como garantia de estabilidade para Washington.
- Entre os nomes na lista estaria Alex Saab, com possível nova acusação de lavagem de dinheiro; também aparecem Raul Gorrín e outros ocupantes de cargos próximos ao governo chavista.
Venezuela vive uma tensão diplomática permanente com os Estados Unidos desde a saída de Nicolás Maduro. Segundo fontes ouvidas pela Reuters, a administração de Donald Trump intensifica a pressão ao preparar uma possível acusação criminal contra Delcy Rodríguez, interim president do país, como parte de sua estratégia de gestão de Caracas.
Procuradores federais em Miami teriam elaborado um rascunho de denúncia envolvendo corrupção e lavagem de dinheiro. A obra jurídico-penal estaria sendo ajustada nos últimos dois meses e já foi comunicada verbalmente à presidente interina, que teria ciência da operação caso não aceite as exigências dos EUA.
A natureza do caso envolve supostas transações ligadas à PDVSA, a estatal do petróleo venezuelano, com dados que abrangem 2021 a 2025. A narrativa aponta a participação de Rodríguez em operações de lavagem de recursos de saneamento financeiro, segundo as fontes. A Justiça norte-americana não comentou o andamento formal das acusações.
Alto escalão e medidas de coerção
Além do rascunho de denúncia, autoridades dos EUA apresentaram uma lista com pelo menos sete ex-alto funcionários do partido, colaboradores e familiares, que deveriam ser presos ou mantidos sob custódia para possível extradição. A lista foi apresentada a Rodríguez pela nova enviada dos EUA à Venezuela, Laura Dogu, de acordo com as fontes.
Entre os nomes de destaque na lista está Alex Saab, próximo a Maduro, envolvido em operações financeiras dentro do movimento chavista. Saab foi detido em Cabo Verde em 2020 e extraditado aos EUA, enfrentando acusações de suborno e lavagem de dinheiro. Segundo as fontes, há uma nova acusação de lavagem associada a Saab, ainda sem status definido.
Também consta na relação Raul Gorrín, magnata da mídia, detido por SEBIN na Venezuela. Gorrín enfrenta múltiplas acusações federais nos EUA por suborno, lavagem e envolvimento com a PDVSA. A situação de Saab, Gorrín e outros permanece sem decisão definitiva sobre extradição.
As informações sobre possíveis prisões ou detenções surgem em meio ao contexto em que Maduro foi capturado em janeiro de 2026 por forças especiais americanas e transferido à Nova York para julgamento por narcoterrorismo e tráfico de cocaína. Rodríguez assumiu a liderança dois meses após o episódio.
Contexto e próximos passos
Publicamente, a Casa Branca já elogiou Rodríguez por suposta cooperação, e a chanceleria norte-americana não respondeu a perguntas sobre o tema. A denúncia em rascunho não implica, automaticamente, submissão a um grande júri, que exigiria indícios suficientes de crime. O júri investigativo atua em segredo.
As autoridades venezuelanas não se pronunciaram sobre as possíveis acusações em curso. A estratégia de pressão inclui manter Caracas alinhada aos interesses dos EUA, visando abrir o acesso de empresas americanas às reservas de petróleo do país. A situação segue em desenvolvimento, com impactos potenciais sobre o governo interino e sobre a estabilidade regional.
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