- Último dia de depoimentos na Covid-19 inquiry é marcado por famílias que denunciam incompetência, caos e descaso do governo, agora registrados publicamente.
- A investigação já é a mais cara da história, com custos totais de £203,98 milhões, cobrindo estruturas, salários e sessões de audiências.
- Ao todo, ocorreram 238 dias de audiência pública, com 381 testemunhas e mais de 600 mil documentos de evidências.
- A comissão analisou dez módulos, abrangendo desde planejamento, governo, sistema de saúde, compras e resposta econômica até impactos na sociedade; as evidências já foram ouvidas em todas as áreas, mas apenas dois relatórios foram publicados até o momento.
- As famílias defendem que as recomendações devem ser implementadas e destacam que outras frentes, como o exercício Pegasus e a lei Hillsborough, ainda precisam avançar para evitar custos e falhas em crises futuras.
A conclusão do inquérito sobre a Covid chegou ao seu dia final de depoimentos, em Londres. Ao lembrar o esforço iniciado há anos, familiares de vítimas ressaltaram a “incompetência, caos e brutalidade” do governo como registro público. O cenário foi o prédio Dorland House, onde ocorreram as audiências.
Os representantes de famílias que perderam entes queridos destacam que a investigação, embora cara, valeu o custo. O inquérito tornou-se o mais caro da história, com gastos totais de quase 204 milhões de libras, cobrindo montagem, salários e sessões de depoimento. Ao todo, 238 dias de audiência foram realizados.
O comitê público ouviu 381 testemunhas e analisou mais de 600 mil documentos, equivalentes a cerca de 5 milhões de páginas de evidências. O governo informou que o trabalho envolveu 286 profissionais em 10 módulos de investigação distintos.
Detalhes e desdobramentos
As investigações abrangem temas como resiliência, decisões governamentais, sistema de saúde, compras, assistência social, testagem e rastreamento, além de impactos econômicos. Evidências de todos os módulos já foram ouvidas, mesmo com a divulgação dos achados parciais pelo presidente do inquérito, Lady Hallett, apenas para os dois primeiros módulos até o momento.
As conclusões parciais indicaram falhas estratégicas em planejamento pandêmico e associaram a gestão de governo a um clima de toxicidade e desordem. A análise aponta que ações mais cedo poderiam ter evitado milhares de mortes, conforme os relatos apresentados.
O grupo Covid-19 Bereaved Families for Justice UK (CBFFJ), que reúne milhares de familiares, saudou os resultados como contundentes e claros, embora tenha feito ressalvas sobre o alcance das recomendações. Entre as conclusões está a necessidade de mudanças institucionais para evitar repetição de erros.
Durante o dia de hoje, manifestantes com fotografias de vítimas se reuniram na frente do local e realizaram momento de silêncio. A comunidade reafirmou o compromisso de lutar pela implementação das recomendações e pela responsabilização de responsáveis.
A CBFFJ também aguarda os resultados de Exercise Pegasus, a maior simulação de pandemia já realizada no Reino Unido, para identificar lacunas no sistema. O grupo defende a adoção da chamada Hillsborough Law, que imporia dever de transparência às autoridades públicas, com a expectativa de reduzir custos de futuras investigações.
O que vem a seguir
Um porta-voz do inquérito informou que cinco relatórios remanescentes devem ser divulgados ainda neste ano, e três no primeiro semestre de 2027. Afirmou que o custo da pandemia justifica o esforço caso as conclusões gerem mudanças concretas de preparo e resposta a crises futuras.
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