- Caciques do MDB entregaram a Baleia Rossi um manifesto por independência nacional e neutralidade com o PT, somando cerca de 23 assinaturas de lideranças em 17 diretórios estaduais.
- O objetivo é manter autonomia regional para costurar alianças locais, ante a possibilidade de compor a chapa de Lula com um vice diferente de Geraldo Alckmin.
- Lideranças de Nordeste e Norte tendem a apoiar Lula, enquanto Sul, Sudeste e Centro-Oeste querem distância do atual presidente.
- A neutralidade é apresentada como estratégia para preservar palanques e abrir espaço para acordos pós-eleição, mesmo com o MDB controlando ministérios no governo Lula (Transportes, Cidades e Planejamento).
- A lista de signatários do documento inclui nomes de vice-governadores, deputados e senadores de diversas regiões, até o fim da tarde de terça-feira.
O MDB vive um movimento interno que busca manter distância da chapa de Lula em 2026, enquanto surgem rumores sobre possível indicação de vice para a candidatura presidencial. O atrito ganhou contornos após lideranças de várias regiões aprovarem um manifesto independente, sem alinhamento com o PT, nas vésperas das negociações oficiais.
Na terça-feira (3), caciques de pelo menos 17 diretórios estaduais entregaram ao presidente nacional Baleia Rossi o documento com 23 assinaturas pedindo neutralidade no plano nacional e autonomia para cada estado definir alianças locais. A tensão ocorre enquanto o MDB trabalha possibilidades de compondo com Lula, com a ideia de substituir o vice Geraldo Alckmin.
A mobilização reflete um mosaico interno do MDB, que reúne forças regionais de centro a direita. Mesmo com nomes próximos ao governo federal, como Renan Calheiros e Simone Tebet, há grupos que defendem distanciar-se da chapa presidencial. O MDB mantém posição de poder territorial, com ministros em cargos estratégicos no governo Lula.
A fala de dirigentes do Nordeste e Norte tende a favorecer alianças com o PT, enquanto lideranças do Sul, Sudeste e Centro-Oeste costumam defender mais distância de Lula. O grupo que assina o manifesto acredita ter suporte próximo de 70% da Convenção Nacional do MDB, que definirá candidaturas em junho.
Signatários do manifesto anti-Lula
- Deputado estadual Vilmar Zanchin (RS)
- Deputado federal Carlos Chiodini (SC)
- Deputado federal Sérgio Souza (PR)
- Rodrigo Arenas (SP)
- Washington Reis (RJ)
- Vice-governador Ricardo Ferraço (ES)
- Waldemir Moka (MS)
- Deputada estadual Janaina Riva (MT)
- Vice-governador Daniel Vilela (GO)
- Romero Jucá (RR)
- Wagner Sales (AC)
- Senador Alessandro Vieira (SE)
- Deputado federal Alexandre Guimarães (TO)
- Deputado federal Newton Cardoso (MG)
- Deputado federal Acacio Favacho (AP)
- Senadora Ivete da Silveira (SC)
- Vice-governador Gabriel Souza (RS)
- Ricardo Nunes (SP)
- José Fogaça (ex-presidente nacional do MDB)
- Deputado federal Alceu Moreira (Presidente da Fundação Ulysses Guimarães)
- Katia Lobo (MDB Mulher)
- Deputado estadual Wellington Luiz (DF)
O grupo sustenta que a autonomia de diretórios estaduais é essencial para fortalecer palanques locais, permitindo costurar alianças conforme a realidade de cada estado. A estratégia busca preservar alianças regionais e manter a capacidade de negociação após as eleições.
Especialistas apontam que o movimento representa uma lógica histórica do MDB, centrada na manutenção de poder territorial. O partido não opera como ala orgânica de um projeto único, mas como força federativa que negocia com quem vencer as disputas estaduais e nacionais.
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