- Nesta quarta-feira, mensagens sob investigação da Polícia Federal revelaram um plano de Daniel Vorcaro para intimidar o jornalista Lauro Jardim, incluindo a ideia de simular um assalto para agredir o colunista.
- O objetivo, segundo as mensagens, era silenciar a imprensa e evitar publicações contrárias aos interesses do banqueiro.
- O grupo “A Turma”, coordenado por Vorcaro, reunia ex-diretores do Banco Central e um policial civil aposentado; há suspeita de vigilância, monitoramento e consultas ilegais em sistemas de órgãos públicos, com pagamentos estimados em até R$ 1 milhão por mês.
- O Globo repudiou as ameaças e a ANJ elogiou a atuação da Polícia Federal e do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, pela proteção à imprensa e ao livre exercício jornalístico.
- A defesa de Vorcaro negou as acusações, afirmando que as mensagens foram tiradas de contexto e que não houve intenção de violência.
Líderes da investigação apontam que houve um plano para intimidar o jornalista Lauro Jardim. Parte das mensagens analisadas pela Polícia Federal, na quarta-feira (4), indicam que Daniel Vorcaro, empresário e dono do Banco Master, pretendia simular um assalto para agredir fisicamente o colunista em função de reportagens publicadas.
Lauro Jardim é uma das referências da imprensa política brasileira. Iniciou no O Globo em 1989, passou por veículos como IstoÉ, Jornal do Brasil, Exame e Veja, onde comandou a coluna Radar. Em 2015 retornou ao O Globo e mantém uma coluna com informações exclusivas sobre Brasília, economia e negócios.
Como funcionaria o suposto plano, segundo apurações da Operação Compliance Zero? Em mensagens trocadas, Vorcaro discutiu a ideia de simular violência para calar o jornalista, com menção a desejo de causar danos físicos. A intenção, conforme o material obtido, seria impedir a publicação de conteúdos contrários aos interesses do empresário.
A PF aponta ainda a existência do grupo denominado A Turma, coordenado por Vorcaro. O grupo teria reunido figuras como ex-diretores do Banco Central e um policial civil aposentado. Há suspeita de vigilância, monitoramento e consultas indevidas em sistemas de órgãos públicos, como Ministério Público Federal e Interpol, com estimativas de pagamentos que teriam alcançado até 1 milhão de reais por mês.
O Globo repudiou as ameaças e classificou o caso como ataque à liberdade de imprensa e ao Estado de Direito. A Associação Nacional de Jornais (ANJ) expressou solidariedade aos jornalistas e elogiou a atuação da Polícia Federal e de autoridades que atuam para garantir a segurança do trabalho jornalístico.
A defesa de Daniel Vorcaro afirmou que não houve intenção real de ameaçar jornalistas. Em nota, os advogados alegam que as mensagens teriam sido retiradas de contexto e tratam as manifestações como desabafos privados, sem objetivo de violência, mantendo a confiança no esclarecimento judicial dos fatos.
Conteúdo produzido pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para aprofundar o tema, consulte a reportagem completa da publicação parceira.
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