- A ofensiva dos EUA e de Israel contra o Irã ocorreu para tentar encerrar o impasse de 24 anos sobre o programa nuclear, mas pode levar o regime iraniano a buscar uma bomba ou incentivar grupos a levar material de urânio.
- O Irã, que afirma que o programa é pacíco, acumulou, até o ano passado, cerca de 440 kg de urânio altamente enriquecido (HEU) a 60% de pureza, o que facilita chegar a material para uma arma em etapas simples.
- Bombas profundas introduzidas pela operação de junho deixaram áreas subterrâneas em Isfahan e Natanz danificadas, mas não destruíram instalações estratégicas, dificultando confirmar o estado exato do HEU.
- A Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA) não conseguiu verificar se houve suspensão completa das atividades de enriquecimento nem o tamanho atual do estoque em instalações afetadas, gerando incerteza global.
- Especialistas alertam que, se o regime sobreviver, pode haver maior impulso para a weaponização, com risco de desvio de material em caso de colapso ou guerra civil, aumentando a pressão internacional para intervenção.
Pelo menos desde 2012, especialistas em proliferação alertam que uma ofensiva contra o programa nuclear do Irã pode ter efeito contrário, acelerando a busca por armas. Observadores dizem que ataques de origem dos EUA e de Israel visam pôr fim ao impasse de 24 anos, mas podem empurrar o regime para a fabricação de uma bomba ou incentivar grupos a roubar material de urânio.
O Irã sustenta que seu programa tem finalidade civil e não pretende desenvolver armas. A desconfiança aumentou desde a descoberta de instalações não declaradas de enriquecimento de urânio e produção de plutônio pesado, em 2002. Um acordo nuclear de 2015 restringiu fortemente o programa, mas foi encerrado após a saída dos EUA em 2018, levando Teerã a ampliar atividades.
Em 2025, o Irã já acumulava cerca de 440 kg de urânio altamente enriquecido, com pureza de 60%. Com enriquecimento adicional e a conversão para formato metálico, esse estoque poderia sustentar mais de 10 ogivas, segundo avaliações técnicas. Esse medo persiste entre países ocidentais.
O que motivou os ataques de junho passado foi justamente essa ansiedade com o estoque de HEU e o risco de enriquecimento adicional. A ofensiva, denominada operações de bombardamento em alvos nucleares, visava danificar instalações críticas, mas não eliminou por completo as estruturas subterrâneas.
A avaliação das consequências varia entre especialistas. Alguns afirmam que a destruição de alvos superiores é limitada, pois há instalações profundas sob montanhas, difícil de alcançar. Outros destacam o risco de ruptura institucional que poderia ampliar a pressão internacional para ações agressivas.
Para analistas, a crise pode provocar mudanças estratégicas no Irã após o ataque, com possibilidades de avanço para a weaponização, especialmente se a liderança for enfraquecida ou desmantelada. Em caso de desintegridade do regime, há preocupação com desvios de material e proliferação acentuada.
Especialistas ressaltam ainda que, mesmo que o programa seja suspenso temporariamente, o estoque de urânio pode permanecer vulnerável a furtos ou a desvirtuação de controles. Em cenários de instabilidade, a cooperação com agências internacionais pode sofrer abalos, dificultando a verificação.
Entre os especialistas, há consenso de que qualquer resposta ao conflito precisa considerar riscos de escalada, incluindo a possibilidade de ações terrestres. A avaliação aponta que a persistência de tensões aumenta as chances de que material sensível seja alvo de desvios.
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