- Duas mulheres criadas no Reino Unido enfrentam dificuldades devido às novas regras de fronteira para nacionais britânicos com pais não casados, exigindo passaporte britânico ou certificado de residência a custo de £589.
- As mudanças afetam pessoas nascidas antes de 2005, quando a cidadania britânica para filhos de pais britânicos não casados passou a ter exceções; a reforma só ocorreu em 2005 e, em 2022, foi criada uma solução para casos anteriores.
- Dawn, nascida em 1977 de pai britânico não casado com a mãe francesa, teve passaportes britânicos recusados em 2018 e agora busca cidadania novamente, enfrentando revisões e custos elevados.
- A outra mulher, de Manchester, já tem direito de residência documentado, mas sempre teve passaporte francês; precisa de coleta de impressões digitais, teste de cidadania e registro específico para obter o passaporte britânico.
- O especialista em imigração cita falhas de atendimento do Home Office e aponta que a burocracia atual penaliza cidadãos britânicos de longa data; o ministério ainda não comentou o caso.
Two mulheres que vivem quase a vida inteira no Reino Unido enfrentam complicações com as novas regras de fronteira para nacionais britânicos duais. Elas são filhas de pais britânicos não casados e mães francesas, cuja situação pode exigir comprovação de cidadania.
As mudanças, aplicadas desde o fim de fevereiro, exigem passaporte britânico ou certificado de direito de residência, ambos custando 589 libras. As regras atingem pessoas com laços duais que não tiveram a cidadania automática por causa do histórico de filiação não casada.
Dawn, nascida em 1977, teve passaporte britânico até 2018, quando a renovação foi negada por não apresentar passaporte francês em nome de casada. Ela vive no Reino Unido desde os cinco anos e trabalhou no Ministério da Defesa. Ao ler sobre as novas regras, temeu perder benefícios.
Ela relatou que o processo revelou ser britânica, mas os vistos antigos teriam sido emitidos por erro. A situação a levou a buscar apoio pelo Passport Office e, depois, a enfrentar a seção de imigração com perguntas sobre nascimento e circunstâncias familiares.
Dawn ingressou em campanhas de financiamento coletivo para custear a solicitação de cidadania, estimada em 1.735 libras. Ela afirma nunca ter questionado sua nacionalidade, mas teme ficar sem direito de viajar caso o status não seja regularizado.
A segunda mulher, de Manchester, trabalha como profissional de saúde mental. Ela possui direito de moradia comprovado, mas sempre carregou passaporte francês. A mudança de regra a colocou sob risco de ficar presa fora do país, caso viaje.
Ela precisa fornecer impressões digitais, fazer um teste de cidadania e obter um certificado para obter o passaporte britânico. A trabalhadora relata que, por ter pais não casados em 1999, é tratada como ilegítima, o que implica custo financeiro adicional.
Outra entrevistada, que pediu anonimato, mencionou ter pago 130 libras para recuperar um direito de nascimento. Mesmo já apresentando ordem parental de 1999, continua a ser tratada como nova imigrante em uma cidade onde vive há décadas.
Sarah, citada sem divulgar nome completo, questiona a cobrança de taxas para manter o direito de nascimento. Ela já apresentou documentação legal, mas ainda depende de um registro especial para que a Passport Office aceite seu pedido.
Sarah descreve o impacto financeiro e a possibilidade de perder liberdades de viagem, apesar de contribuir com a NHS e ter histórico de impostos pagos. O processo continua sem solução rápida.
Especialista em imigração, Simon Cox, afirma que mudanças de 1987 eliminaram discriminações contra filhos de pais não casados, mas a cidadania permaneceu sem reforma até 2005. Em 2022 surgiu uma solução para filhos de pais britânicos não casados nascidos antes de 2005.
Cox também critica a burocracia e a falta de orientação ao público. Ele sugere que o Home Office disponha de canais de atendimento mais claros para auxiliar cidadãos afetados pelas novas regras.
O Home Office foi contatado para comentar sobre o assunto. A reportagem não recebeu resposta até o fechamento desta edição.
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