- Trump receberá, em Miami, líderes de pelo menos dez países da região no encontro Shield of the Americas, com foco em segurança, prosperidade e cooperação.
- Convidados incluem Argentina, Bolívia, El Salvador e Paraguai; Brasil, México e Colômbia ficam de fora, o que é visto como sinal da controvérsia em torno da “Don-roe Doctrine”.
- A administração diz que a iniciativa busca reduzir a presença da China na região e ampliar a influência dos EUA por meio de pressão econômica e militar.
- Analistas avaliam que a lista de convidados revela alinhamentos ideológicos entre EUA e governos de direita, levantando perguntas sobre a real eficácia da estratégia hemisférica.
- Especialistas destacam a ausência de grandes economias, como Brasil, México e Colômbia, refletindo críticas à política dos EUA e à sua relação com a região.
Donald Trump vai receber, neste sábado, líderes de pelo menos 10 países da América Latina em um resort de golfe em Miami. O objetivo é ampliar a influência dos EUA na região e conter a atuação da China, em meio a uma agenda de confrontação regional.
A lista de convidados inclui presidentes de países de direita, como Argentina, Bolívia, El Salvador e Paraguai. No entanto, não estiveram presentes Brasil, México e Colômbia, grandes economias da região. A ausência de Brasília, México e Bogotá é apontada por analistas como sinal de falha na estratégia anunciada.
O encontro ocorre em meio a uma série de ações de Washington na região, com a ideia de reinventar a doutrina Monroe. Autoridades da Casa Branca descrevem o evento como uma forma de promover liberdade, segurança e prosperidade na região.
Segundo especialistas, a reunião reforça a ideia de um “núcleo ideológico” aliado a Trump. O foco do encontro deve incluir segurança, migração e questões sobre Venezuela e Cuba, sem grandes surpresas na agenda.
Entre os convidados, está o presidente do Paraguai, Santiago Peña, que já confirmou presença em mensagens nas redes sociais. O país celebra a cooperação com Washington para temas de segurança.
O Chile, com o presidente eleito José Antonio Kast, e o Equador, com Daniel Noboa, também confirmaram participação. Kast vem prometendo linha dura em imigração, no palco político de direita da região.
Analistas destacam que, para alguns governos, o encontro representa oportunidade de acesso a inteligência e apoio americano. Honduras também tem participação relevante no cenário, segundo fontes próximas.
Especialistas divergem sobre impactos. Alguns veem a iniciativa como tentativa de pressionar governos a alinhamentos, enquanto outros destacam a resistência de potências regionais, especialmente Brasil e México.
O analista Benjamin Gedan ressalta que a lista expõe fragilidades da estratégia de Washington na região. Ele aponta que Brasil, México e Colômbia são os países com maior peso econômico e populacional na região.
Para Washington, a doutrina que se busca reviver visa reduzir a presença da China na América Latina por meio de pressão econômica e militar. Críticos, porém, alertam para impactos legais e diplomáticos.
Autoridades da imprensa destacam que a reunião pode sinalizar mudanças na regionalidade dos temas, com maior foco em segurança, crimes transnacionais e cooperação econômica entre governos de direita.
No balanço, a expectativa é de que o evento consolide uma coalizão regional entre governos conservadores, ao menos no estreito alinhamento com Washington, sem consolidar uma estratégia única para toda a região.
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