- Os EUA aumentaram a pressão sobre Cuba na terça-feira, pedindo reformas de livre mercado no país.
- Cuba conseguiu restabelecer a rede elétrica após um apagão nacional que afetou o funcionamento do sistema elétrico, com 15 províncias reconectadas, ainda com apagões programados por déficit de geração.
- O governo cubano anunciou medidas como permitir que a diáspora invista em bancos, agricultura e infraestrutura; o secretário de Estado americano, Marco Rubio, considerou os anúncios insuficientes.
- O Departamento de Estado dos EUA afirmou que o povo cubano reivindica serviços básicos, subsistência e liberdade, e que o regime cubano deve respeitar direitos; Havana reagiu acusando guerra econômica e dizendo que há ameaças de intervenção.
- A crise econômica cubana se agravou após a suspensão dos envios de petróleo da Venezuela; a ilha também enfrentou um terremoto de magnitude 5,8, sem vítimas ou danos relatados.
O governo dos Estados Unidos intensificou a pressão sobre Cuba na terça-feira (17) para abrir espaço a reformas de livre mercado, enquanto Cuba conseguiu restabelecer a eletricidade após um apagão nacional. O movimento ocorre em meio a uma crise energética causada pela suspensão dos envios de petróleo venezuelano, após o sequestro de Nicolás Maduro.
Cuba reconheceu estar em negociações com Washington e anunciou, na segunda-feira, medidas como permitir que a diáspora invista em setores como bancos, agricultura e infraestrutura. As autoridades cubanas buscam flexibilizar a economia em meio a restrições e dificuldades financeiras.
Para o governo americano, as propostas anunciadas não são suficientes. O senador Marco Rubio avaliou que as medidas ainda são insuficientes para resolver os problemas econômicos e sociais de Cuba, durante entrevista na Casa Branca.
O Departamento de Estado dos EUA destacou, na terça, que o povo cubano exige serviços básicos, subsistência e liberdade, e insistiu que o regime cubano respeite direitos fundamentais. O tom reforça a pressão por mudanças políticas.
Havana reagiu por meio do vice‑ministro das Relações Exteriores, Carlos Fernández de Cossío, que chamou a ação dos EUA de guerra econômica e afirmou que o país não é responsável pela gestão econômica. Também acusou Washington de buscar agressão militar.
Em Washington, Tanieris Diéguez, vice-chefe da missão cubana, afirmou à AFP que há espaço para negociações, desde que não haja exigência de mudança no sistema político. Disse ainda que nada relacionado ao sistema político deve fazer parte das negociações.
Foi a segunda-feira marcada por declarações fortes de Trump, que mencionou a possibilidade de ações futuras em relação a Cuba, após comentário sobre a expectativa de ações. As informações indicam um endurecimento da linha de pressão externa sobre Havana.
Restabelecimento elétrico
O governo cubano informou, na terça, que o Sistema Eletroenergético Nacional (SEN) foi restabelecido, após o blackout que afetou as 15 províncias. Mesmo com a recuperação, a empresa UNE aponta que os apagões programados devem continuar por déficit de geração.
A população enfrenta dias de dificuldade por falhas no fornecimento. A UNE confirmou que algumas áreas ainda passam por interrupções, enquanto a rede opera com usinas termelétricas antigas e necessidade de manutenção.
O senador cubano Díaz-Canel, que permanece no poder, declarou em mensagem no X uma resistência firme ante as ameaças dos EUA, mantendo a narrativa de soberania econômica e política frente ao endurecimento externo.
Segundo o The New York Times, há acusações de que os Estados Unidos querem derrubar o governo cubano, o que foi negado por Rubio, que classificou a reportagem como falsa. O tema permanece sob discussão entre as nações.
Contexto econômico
A crise econômica cubana ganhou contornos com a suspensão do petróleo venezuelano, principal fornecedor, após o rompimento econômico com a Venezuela. A redução de combustíveis intensificou restrições ao consumo e à produção no país.
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