- O juiz federal Paul Friedman mostrou ceticismo em relação à nova política de imprensa do Pentágono, chamando alguns aspectos de “estranhos” e kafkianos.
- Friedman derrubou pontos-chave da política anterior em 20 de março, mas não decidiu sobre a ordem para cumprir essa decisão em relação ao The New York Times.
- O juiz destacou a forma como o espaço de imprensa é oferecido aos sete repórteres do Times, que tiveram seus crachês de acesso revogados após não aceitarem as novas regras.
- A equipe jurídica do Times acusa o Pentágono de desrespeitar a ordem judicial ao fechar o Corredor de Correspondentes e ao exigir escolta para jornalistas dentro do prédio.
- O governo afirma que as mudanças visam reduzir vazamentos de informações classificadas; o juiz pediu que o governo apresente, ainda hoje, fundamentos legais para a criação da nova política em resposta à decisão anterior.
O juiz federal Paul Friedman mostrou cutilante ceticismo em relação à nova política de imprensa do Pentágono, implementada na semana anterior. Ele chamou aspectos do protocolo de imprensa de estranhos e kafkianos, durante audiência no tribunal. O magistrado já havia derrubado partes importantes da política anterior em 20 de março.
O caso envolve, principalmente, sete jornalistas do New York Times que tiveram seus crachês de acesso à imprensa suspensos após rejeitarem as novas restrições. O Times acionou o governo federal, alegando violação de direitos, incluindo a primeira emenda, ao contestar a mudança. O tribunal ainda não obrigou a conformidade com uma ordem anterior.
A audiência ocorreu após o Times ter buscado manter acesso aos espaços de trabalho da imprensa no Pentágono, inclusive a retirada dos corredores de Correspondents e a exigência de escolta de funcionários da defesa para acompanhar jornalistas pelo prédio. Alegações indicam dificuldades de acesso à biblioteca e uso de espaços que deveriam estar disponíveis.
Questionamentos do juiz destacaram o potencial efeito de intimidação para quem faz perguntas a autoridades militares, com receio de que a simples solicitação de anonimato possa indicar divulgação de informações não autorizadas. Friedman pediu que o governo apresente, ainda hoje, um parecer sobre a base jurídica da nova política diante da ordem judicial.
O advogado do Times argumentou que a administração estaria desrespeitando a ordem judicial ao fechar espaços de imprensa e impor escoltas, além de tornar os crachês menos úteis. O governo afirmou que a política não proíbe perguntas, apenas restringe tentativas de obter informações após recusa de resposta.
O especialista consultado, o advogado Tim Parlatore, afirmou que a regra não impede questionamentos, mas impede pressões para obter informações não divulgadas. O objetivo é reduzir vazamentos de informações classificadas, segundo a defesa. O juiz solicitou um resumo jurídico do governo sobre a fundamentação da política em resposta à ordem anterior.
Entre na conversa da comunidade