- Um relatório de investigação parlamentar, apresentado por Charles Alloncle, recomenda fortes cortes à televisão pública francesa, incluindo redução de orçamento em vinte e cinco por cento.
- Propõe fundir diversos canais principais, cortar a programação juvenil, reduzir em setenta e cinco por cento o orçamento de entretenimento e reduzir o orçamento de esportes em trinta e três por cento.
- O texto também sugere que o presidente da República nomeie diretamente os chefes da radiodifusão, com respaldos no parlamento e no Senado.
- A oposição de esquerda e o centro criticaram o relatório, dizendo que houve confrontos acalorados nas audiências e que houve viés a favor da direita.
- A RN e a líder Marine Le Pen saudaram o documento, enquanto o governo afirmou que reformas são necessárias, mas descartou adotar as recomendações.
O relatório de uma comissão parlamentar de direita recomenda cortes amplos na radiodifusão pública francesa, com propostas de fusão de canais e redução de orçamento para entretenimento em 75%. A análise foi divulgada nesta semana após uma investigação que durou cerca de cinco meses.
A sugestão é resultado de um inquérito sobre neutralidade, funcionamento e financiamento da radiodifusão pública, iniciado por Charles Alloncle, deputado da UD R, aliado à National Rally de Marine Le Pen. Pesquisas apontam críticas de viés por parte de setores da oposição.
O órgão ligado ao jornalismo público é a France Télévisions, que reúne quatro canais nacionais e 24 regionais, enquanto a Radio France administra diversas emissoras nacionais e locais. O governo tem tido relação complexa com o modelo de financiamento público.
O relatório recomenda que o presidente da República nomeie diretamente os chefes da radiodifusão, com contrapesos de votos no Parlamento e no Senado. Também propõe redução de 25% no orçamento público e fusões entre canais de grande expressão.
Além disso, propõe cortes no conteúdo voltado a jovens, redução de recursos para jogos e entretenimento em 75% e diminuição de 33% no orçamento destinado ao esporte. As medidas seriam acompanhadas de reformas profundas.
Críticos de esquerda e do centro contestaram as audiências do inquérito, que teriam sido marcadas por tensões entre participantes. A deputada Ayda Hadizadeh afirmou que houve um tom de tribunal político, o que, segundo ela, visaria extinguir a radiodifusão pública.
Anne Sicard, deputada do RN, disse que o partido foi tratado como inimigo pela televisão estatal, enquanto Marine Le Pen elogiou o inquérito por expor supostas falhas de gestão e de neutralidade. Em resposta, Alloncle negou enviesamento.
Delphine Ernotte, chefe da France Télévisions, descreveu o relatório como uma leitura ideológica que pode enfraquecer a radiodifusão pública historicamente. A executiva pediu cautela e reforçou a necessidade de preservação da independência.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu afirmou que reformas são necessárias, mas descartou acolher as propostas como estavam, chamando-as de uma oportunidade perdida. A Casa Civil mantém posição de que mudanças são possíveis, sem compromisso com as recomendações.
A líder da Lagardère News, ligada ao grupo Bolloré, é alvo de acusações feitas por uma ONG que questiona pressões sobre parlamentares para influenciar o inquérito. A organização afirma que perguntas foram encaminhadas para deputados de modo hostil à radiodifusão pública.
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