- O Intercept Brasil divulgou mensagens entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro sobre o financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro, com pagamento de R$ 61 milhões feito entre fevereiro e maio de 2025; o dinheiro, segundo a reportagem, foi transferido para um fundo nos Estados Unidos ligado a um aliado de Eduardo Bolsonaro.
- Flávio pressionou pelo pagamento e afirmou ter muitas contas para pagar; em áudio de oito de setembro, ele diz que o filme está num momento decisivo e teme impacto negativo se parcelas não forem pagas.
- Em mensagens entre 16 e 22 de outubro, Flávio diz que está “contigo sempre” e que precisam de uma luz; houve convite para jantar com o ator que interpretava Bolsonaro, Jim Caviezel, e troca de informações sobre encontros em São Paulo.
- A reportagem também mostra jeitos de comunicação, com ligações e mensagens com imagens de visualização única; o conteúdo do áudio foi divulgado e confirmado pela TV Globo junto a investigadores.
- Vorcaro foi preso pela Polícia Federal na sequência das investigações sobre uma rede de fraudes, corrupção de servidores públicos e uso de uma “milícia privada”; a divulgação ocorre no contexto das apurações sobre o filme e os pagamentos.
O Intercept Brasil revela mensagens entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, com evidências de pagamentos para a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro. Segundo o portal, Vorcaro teria financiado cerca de 61 milhões de reais para o projeto, entre fevereiro e maio de 2025, via o fundo de um aliado de Eduardo Bolsonaro. As conversas envolvem pressões para a continuidade dos pagamentos.
Relatos e áudios mostram Flávio Bolsonaro pressionando Vorcaro, alegando ter contas para pagar e buscando garantias sobre o impacto positivo do filme. O material inclui uma série de mensagens de texto, além de áudios gravados em setembro de 2025. A TV Globo confirmou a existência do áudio e da matéria com fontes próximas às investigações.
A apuração aponta que as negociações ocorreram com contatos diretos entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, com participação de outros membros da complexa rede política. Em 22 de outubro, o senador teria sugerido um jantar com o ator que interpretava Bolsonaro no filme, o que Vorcaro aceitou e propôs realizar em sua residência.
Passagens do material indicam ainda tentativas de alinhavar datas, encontros e viagens para a produção do longa, incluindo reuniões em São Paulo e visitas a Dubai. Em 16 de novembro, Flávio lembrou que estava ao lado de Vorcaro, e ambos trocaram mensagens de confirmação de apoio mútuo, em tom de confidencialidade.
Detalhes do áudio e desdobramentos
Em 8 de setembro de 2025, Flávio enviou um áudio reconhecendo o “momento dificílimo” de Vorcaro, com cobrança contida pela necessidade de honrar pagamentos e evitar prejuízos ao elenco e à equipe. O áudio também descreve o risco de prejuízo reputacional caso haja inadimplência com figuras ligadas ao projeto.
No dia seguinte, Flávio reafirmou a parceria e afirmou estar junto, pedindo uma posição clara de Vorcaro sobre os pagamentos pendentes. As mensagens indicam um clima de tensão ligado à conclusão financeira do filme e aos compromissos assumidos com o elenco e a equipe.
Posteriormente, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal, em São Paulo, quando desembarcava no aeroporto de Guarulhos. A prisão marcou o início de investigações sobre fraudes, corrupção de servidores e acusações associadas a uma rede com atuação de “milícia privada” para intimidar opositores. O caso envolve várias frentes de apuração além do financiamento do filme.
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