- A Procuradoria-Geral da República apontou falhas e omissões na delação negociada pela Polícia Federal com Maurício Camisotti, empresário investigado nas fraudes do INSS.
- A PGR pediu ao ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça que a delação fosse refeita, por não ter contado com a participação da Procuradoria.
- A delação de Camisotti está sendo refeita do zero, em uma nova negociação, com a Procuradoria assumindo a titularidade da ação penal ao lado da PF.
- Camisotti, dono da Total Health e preso desde setembro de 2025, seria peça central do núcleo financeiro do esquema e controlaria três entidades associativas—Ambec, Unsbras e Cebap—que teriam faturado mais de R$ 1 bilhão desde 2021.
- A PGR insiste que o acordo inclua a devolução de valores em contas bloqueadas; Camisotti já propôs devolver R$ 400 milhões, mas sem abranger bens de empresas ligadas a ele.
Maurício Camisotti, empresário ligado ao caso das fraudes do INSS, terá a delação premiada refeito pela Polícia Federal, após apontadas falhas e omissões pela PGR. A renegociação ocorre em meio a investigações sobre descontos indevidos em benefícios do INSS.
No início de abril, a Procuradoria-Geral da República pediu ao ministro do STF, André Mendonça, a revisão do acordo, uma vez que a colaboração não contou com a participação da PGR. A delação passa a ser construída do zero, em nova negociação.
Quem é o empresário: dono da Total Health, Camisotti foi preso em setembro de 2025, na fase Sem Desconto, ligada à operação que levou à prisão de Careca do INSS. A PF o descreve como peça central do núcleo financeiro do esquema.
A investigação aponta que Camisotti controlava três entidades associativas — Ambec, Unsbras e Cebap — como sócio oculto, com faturamento estimado em mais de 1 bilhão desde 2021. A defesa não respondeu aos contatos do jornal.
Falhas na delação e próximos passos: Camisotti assinou, no início de abril, o primeiro acordo, confessando os descontos. Contudo, o documento não explicava transações financeiras consideradas cruciais para esclarecer as suspeitas.
A PGR exige ainda a devolução de valores em contas atualmente bloqueadas pela Justiça, não contemplada pela PF. Camisotti propôs devolver 400 milhões de reais, sem incluir bens de empresas ligadas a ele.
A expectativa é que, caso o acordo seja homologado pelo STF, o empresário permaneça com chances de manter bens desviados após o desfecho do processo. A prisão preventiva dele permanece até eventual homologação.
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