- Flávio Bolsonaro (PL) reconheceu ter solicitado recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horses, após negar relação com o caso.
- O financiamento, de cerca de R$ 61 milhões, ocorreu entre fevereiro e maio de 2025 por meio de um fundo nos Estados Unidos ligado a um aliado de Eduardo Bolsonaro.
- As mensagens entre Flávio e Vorcaro mostram proximidade e ocorreram entre setembro e novembro de 2025, período próximo à prisão do banqueiro e à tentativa de fuga do país.
- Entre março e maio de 2026, Flávio intensificou ataques ao Banco Master, defendeu a criação de uma CPI e associou o caso ao governo Lula, mantendo distâncias com o bolsonarismo.
- Áudio vazado e reportagens do Intercept Brasil divulgaram o pedido de dinheiro e o repasse, gerando contradição entre o discurso público de Flávio e as mensagens privadas.
Após meses de denúncias sobre o Banco Master, Flávio Bolsonaro informou ter pedido recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horses, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A afirmação ocorreu dias após o Intercept Brasil divulgar mensagens e áudio em que o senador cobra recursos. Flávio havia negado envolvimento anteriormente.
A defesa pública do senador mudou após o material divulgado. Ele classificou as informações como mentiras e disse tratar-se de patrocínio privado para um filme privado. Flávio manteve, porém, a crítica a aliados do governo Lula e mencionou supostas relações espúrias entre o banco e o governo.
Segundo o Intercept, Vorcaro repassou em torno de R$ 61 milhões para a produção, ainda sem lançamento. A Globo confirmou a existência do áudio e do conteúdo apurado pelas equipes de investigação. As conversas entre Flávio e Vorcaro teriam ocorrido entre setembro e novembro de 2025.
Cronologia
Entre fevereiro e maio de 2025, repasses teriam ocorrido por meio de um fundo nos EUA ligado a um aliado de Eduardo Bolsonaro, segundo o Intercept. As conversas entre Flávio e Vorcaro teriam acontecido entre setembro e novembro de 2025.
Nos meses seguintes, Flávio intensificou ataques ao Banco Master. Em março de 2026, o senador pediu a criação de uma CPI para investigar o caso e publicou conteúdos alinhados ao discurso de que a instituição estaria ligada ao governo Lula.
Entre março e abril, o senador associou o escândalo ao governo Lula em redes sociais, pediu depoimentos de autoridades ligadas ao banco e chegou a divulgar mensagens sugerindo pressão por repasses financeiros. A defesa manteve a posição de que não houve benefício indevido.
No fim de abril, o PT apresentou material que conectava o caso Master ao governo Bolsonaro, citando ligações entre o banco e agentes do Poder. Flávio negou qualquer relação entre o senador e o banco, afirmando que denúncias eram mentirosas.
Em maio, Flávio chamou a acusação de “teatro” político e afirmou que o PT estaria tentando criar narrativas para vincular o caso a ele. Em 9 de maio, participou de evento com a camiseta simbólica relacionada ao tema, mantendo a linha de defesa de que houve influência política indevida.
Áudio vazado
No dia 13 de maio, repórteres questionaram Flávio sobre os pedidos de dinheiro. Após a divulgação do áudio, o senador admitiu ter solicitado recursos para o filme, removendo a alegação de negação absoluta. O episódio sinalizou mudança de versão e aprofundou a apuração sobre o financiamento.
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