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Emendas Pix de parlamentares irrigam cidades pobres

Emendas Pix destinam milhões a festas juninas em cidades pobres, levantando dúvidas sobre critérios técnicos e prioridades de gasto público

Arraial de São João em Zé Doca, Maranhão, em junho de 2025
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  • Emendas Pix destinam centenas de milhares de reais para festas juninas em cidades pobres, com gastos previstos em cachês de artistas e estrutura de arraiais.
  • Em Zé Doca, no Maranhão, cidade com menos de 42 mil habitantes, o deputado Pastor Gil destinou R$ 1,57 milhão para a festa e o Carnaval deste ano; a ex-deputada Detinha subiu o repasse para R$ 585,5 mil.
  • Pastor Gil e o deputado Josimar Maranhãozinho foram condenados pelo STF por recebimento de propina em emendas; ambos recorrem e seguem no cargo.
  • Levantamento do UOL, junto à Central das Emendas, mostra que muitos municípios pobres recebem valores para festas juninas, como em Japoatã (Sergipe) e Porto Grande (Amapá).
  • Críticos apontam distorção na alocação de recursos públicos e falta de critérios técnicos; deputados afirmam que as emendas estimulam turismo e cultura locais.

O caso envolve o uso de emendas parlamentares para financiar festas de São João em cidades de baixa renda. Emendas Pix, feitas por deputados de diferentes estados, financiaram cachês de artistas e estrutura de festas em municípios com alta vulnerabilidade econômica. Em pelo menos uma cidade maranhense, a população total é inferior a 42 mil habitantes e grande parte depende de programas sociais.

Entre os envolvidos estão o deputado Pastor Gil (PL-MA) e a ex-deputada Detinha (PL-MA), licenciada, que destinaram, respectivamente, R$ 1,57 milhão e R$ 585,5 mil para festas juninas e o Carnaval. Além disso, o STF condenou Pastor Gil em março por suspeita de recebimento de propina atrelada a emendas a municípios maranhenses; Josimar Maranhãozinho, marido de Detinha, também foi condenado no mesmo caso. Ambos recorrem e continuam atuando na Câmara.

Investigação sobre as chamadas emendas Pix aponta que cidades pobres e com altos índices de desemprego receberam centenas de milhares de reais para festividades, muitas vezes sem critérios técnicos claros. Em algumas localidades, o valor destinado supera o orçamento de áreas essenciais, como educação e saúde, elevando críticas sobre prioridades públicas.

Casos notáveis de emendas e valores

Em Japoatã, Sergipe, Zezé Di Camargo receberá R$ 398 mil por uma emenda do deputado Fábio Reis (PSD-SE) para a Vila do Forró, em uma cidade com menos de 14 mil habitantes e metade da população com renda mensal inferior a meio salário mínimo. Em Porto Grande, Amapá, a emenda de Acácio Favacho (MDB-AP) destinou R$ 254 mil apenas para locação de palco, com mais R$ 400 mil para cachês de artistas regionais.

Em Goiás, Terezópolis de Goiás receberá R$ 301,75 mil para contratação de artista, em cidade com 3.184 beneficiários de auxílio governamental. Já na Bahia, Nordestina, o Arraiá do Cajueiro terá R$ 298,5 mil com emenda de Paulo Magalhães (PSD-BA). A cidade tem menos de 20 mil habitantes e baixa formalização de emprego.

Outros exemplos incluem Berizal, Minas Gerais, com 4.300 moradores e R$ 199 mil destinados a festas juninas pelo deputado Zé Silva (União-MG). E, no Piauí, R$ 298,5 mil de Átila Lira (PP-PI) vão custear o arraial de José de Freitas, com destaque para cachê de artista de renome nacional.

Análise técnica e respostas oficiais

Pesquisadores destacam distorção na alocação de dinheiro público diante da ausência de critérios técnicos estáveis para a escolha de emendas. A explicação comum é a atuação quase automática de recursos anuais, com impactos positivos em alguns casos, mas sem atender a prioridades claras da população.

Parlamentares alegam que as emendas promovem turismo local e cultura. Alguns citam participação histórica em determinadas cidades e o papel das festas juninas na economia regional. Procurados, representantes que destinam recursos ainda não haviam se manifestado sobre as críticas.

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