- Kim Aris, filho de Aung San Suu Kyi, afirma não saber o paradeiro da mãe e pediu uma prova de vida às autoridades.
- Suu Kyi permanece sob custódia militar desde 1 de fevereiro de 2021; foi condenada a 33 anos e teve a pena reduzida para 27 anos em indulto parcial, em 2023.
- Aris diz não ter comunicação confiável com a mãe nem com o time jurídico, com pelo menos um advogado preso e potencialmente morto na prisão.
- Ele acusa a comunidade internacional de tratar Suu Kyi como moeda de troca do regime de Min Aung Hlaing, que busca legitimidade para a junta.
- O país vive crise desde 2021, com mais de oito mil mortes registradas pela associação de direitos dos presos políticos e cerca de vinte e dois mil detidos; Aris pede ações concretas de líderes globais e aponta pressão da China.
Kim Aris, filho de Aung San Suu Kyi, afirma que não há informações confiáveis sobre o paradeiro da mãe e pede uma identificação oficial de vida. Em entrevista ao EL PAÍS, ele relatou a falta de respostas e repetiu as mesmas explicações recebidas repetidamente. A entrevista ocorreu por videoconferência, a partir do Reino Unido.
O descendente de Suu Kyi diz ter recebido informações contraditórias sobre o estado de sua mãe, detida desde 1º de fevereiro de 2021. Ele vive no Reino Unido, onde cresceu, e mantém contato com a equipe jurídica que o representa, embora relate riscos e detenções de advogados. Aris descreveu a situação como perigosa.
Suu Kyi, que completa 81 anos em junho, está presa pelos militares que usurparam o poder em Myanmar. O Tatmadaw justificou o golpe alegando fraude eleitoral nas eleições de 2020, nas quais a Liga Nacional para a Democracia teve vitória expressiva. Aris assinala o caráter complexo da transição e a ausência de controle real sobre as Forças Armadas.
O contexto da prisão
A ex-líder foi condenada a 33 anos em julgamentos em parte a portas fechadas, com críticas internacionais às garantias processuais. Em 2023 houve um indulto parcial que reduziu a pena para 27 anos. Aris ressalta que a comunidade internacional tem se mostrado cética em relação à legitimidade do regime.
O maior temor de Aris é que a opacidade sobre o paradeiro de Suu Kyi seja um instrumento de pressão política. Para o filho, a junta busca manter a líder sob controle para manter a legitimidade do governo militar. Ele expressa preocupação com o tratamento dispensado à mãe.
A narrativa de Aris sobre o isolamento de Suu Kyi contrasta com relatos de apoio ao diálogo e à reconciliação. O filho enfatiza que só há avanço com paz, não com violência, e que o mundo não pode esquecer a questão.
A situação no país
Funcionários de governos ocidentais com quem Aris fala consideram Suu Kyi uma possível moeda de troca. O prefeito político atual, Min Aung Hlaing, foi elevado ao cargo de presidente após o golpe. A comunidade internacional rejeitou amplamente as eleições sem oposição convocadas pela junta em 2026.
Dados de organizações de direitos humanos indicam violências e prisões continuadas. A Associação de Assistência a Presos Políticos aponta mais de 8 mil mortes atribuídas à junta e mais de 22 mil detenidos até o momento. A situação de segurança permanece instável em Myanmar.
Aris mantém contato com governos europeus e com a administração dos EUA, destacando, entre sinais positivos, declarações contundentes de líderes como o presidente francês, Emmanuel Macron. O mapa de relações externas do regime permanece complexo, com tensões entre interesses econômicos e pressões por liberdades civis.
Perspectivas para o futuro
O carpinteiro de profissão expressa esperanças de reconciliação e acredita que a dita paz é possível com tempo e esforço. Ele relembra que a filosofia de Suu Kyi sempre preconizou a não violência e a transição democrática. A expectativa é de que a sociedade Burmese retome o diálogo e a democracias responsivas se fortaleçam.
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