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A emenda Master de Hugo Motta

Emenda de Hugo Motta obrigando 1% de reservas em ativos ambientais é alvo de debate sobre vínculos com a família Vorcaro e o Master.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Foto: Josemar Gonçalves/Câmara dos Deputados
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  • Hugo Motta, presidente da Câmara, conseguiu emplacar na legislação a chamada emenda Master pró-Vorcaro, diferente de Ciro Nogueira, alvo de operação da PF.
  • A emenda de Motta obrigava fundos de previdência e seguradoras a investir ao menos 1% das reservas em ativos ambientais; foi aprovada em dezembro de 2023 junto ao projeto do mercado de carbono.
  • Bianca Motta, irmã da esposa do deputado, tería obtido 22 milhões de reais emprestados do Master e usada a verba para adquirir um terreno de alto valor.
  • Em maio de 2025, Renan Calheiros afirmou que a cunhada de Motta recebeu 140 milhões de reais do Master; ele considera a emenda de Motta mais grave por ter virado lei.
  • O Congresso aprovou a lei do mercado de carbono em novembro de 2024; em março de 2025, a CNseg questionou a constitucionalidade do aporte mínimo, e o STF retomaria a análise em 22 de maio.

Hugo Motta, presidente da Câmara, tem uma emenda conhecida como Master para chamar de sua. Ela segue o modelo inspirado pelo senador Ciro Nogueira, alvo de operação da PF, mas com aprovação bem-sucedida pelo Congresso.

A mudança de Motta, proposta em dezembro de 2023, tratava do mercado de carbono e impunha investimento mínimo de 1% das reservas de determinados ativos ambientais por fundos de previdência e seguradoras. A proposta foi aprovada junto ao projeto.

Segundo a reportagem, Bianca Motta, irmã da esposa do deputado, pegou 22 milhões de reais emprestados no Master no início de 2024. O dinheiro seria usado para adquirir um terreno de alto valor tributário, com avaliação superior a 100 milhões de reais.

No dia 12 de maio, Renan Calheiros afirmou na CAE do Senado que a cunhada de Motta recebeu 140 milhões de reais do Banco Master a título de empréstimo que venceu sem cobrança ou parcelas pagas. O senador conduz a comissão de investigação sobre o caso.

A emenda de Motta já passou pelo Senado em novembro de 2024, acompanhando o projeto do mercado de carbono, sendo reaprovada pelos deputados e convertida em lei em dezembro seguinte. A norma colocava o aporte mínimo no centro da discussão.

Paralelamente, a PF investigava Ciro Nogueira, que, segundo apurações, teria vendido serviços legislativos ao Master. A tentativa de ampliar o teto do FGC para 1 milhão de reais foi associada ao interesse de Daniel Vorcaro, dono do Master, mas não chegou a ser aprovada.

Em março de 2025, a CNseg ingressou com ação no STF questionando a constitucionalidade do aporte mínimo de 1% em ativos ambientais. O Congresso reduziu o percentual pela metade, o que também foi contestado. O julgamento terá continuidade em 22 de maio.

Premissas da defesa de Motta apontam que a emenda foi fruto de acordo partidário e visa destinar parte do faturamento do setor de seguros à compra de crédito de carbono, fortalecendo a sustentabilidade ambiental. Motta afirma não ter responsabilidade por empréstimos de terceiros.

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