- Deputados destinaram ao menos R$ 4,6 milhões em emendas para duas entidades ligadas à Produtora do filme Dark Horse, sobre a vida de Jair Bolsonaro.
- Em 2025, o deputado Mario Frias enviou R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil; R$ 1 milhão seria para um programa de empreendedorismo e o restante para o projeto Lutando pela Vida, com aulas de jiu-jítsu em Pirassununga (SP).
- Em 2024, outros parlamentares enviaram R$ 2,6 milhões à Academia Nacional de Cultura para a produção da série documental Heróis Nacionais — filhos do Brasil que não se rende.
- O Supremo Tribunal Federal abriu investigação e o ministro Flávio Dino pediu explicações aos deputados sobre as emendas; Dino também abriu processo separado para apurar irregularidades.
- Deputados estaduais de São Paulo destinarem R$ 700 mil às mesmas entidades; o governo paulista disse ter bloqueado pagamentos por pendências documentais e restrições técnicas.
Deputados federais destinaram ao menos R$ 4,6 milhões em emendas para entidades ligadas à produtora do filme Dark Horse, que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. O repasse envolve a proprietária da produtora, Karina Ferreira da Gama, e dois institutos ligados a ela. A decisão ocorreu entre 2024 e 2025, com destinação de recursos para projetos paralelos e para a produção do documentário.
Em 2025, o deputado Mario Frias (PL-SP) encaminhou R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil (ICB). Desse total, R$ 1 milhão seria para um programa de empreendedorismo, enquanto o restante financiaria o projeto Lutando pela Vida, que previa aulas de jiu-jítsu em Pirassununga (SP). Outros parlamentares destinaram R$ 2,6 milhões à ANC (Academia Nacional de Cultura) em 2024, para a produção da série documental Heróis Nacionais — filhos do Brasil que não se rende.
A verba foi alvo de questionamentos no STF, após ação de Tabata Amaral (PSB-SP) que levantou suspeitas sobre o uso dos recursos. O ministro Flávio Dino abriu processo para investigar as emendas no âmbito da ADPF 854, que trata de transparência e rastreabilidade na aplicação dos recursos. Deputados negam irregularidades.
Além disso, deputados estaduais de SP também enviaram R$ 700 mil a entidades ligadas à mesma produtora. Valéria Bolsonaro (PL), Lucas Bove (PL) e Luiz Fernando (PT) indicaram recursos para aquisição de equipamentos e projetos culturais e esportivos do ICB, enquanto Gil Diniz (PL) destinou verbas para a ANC.
Diante das suspeitas, o governo de São Paulo informou que bloqueou o pagamento das verbas destinadas à série documental, citando restrições técnicas e pendências documentais da entidade beneficiária. O STF já tenta intimar Mario Frias desde o fim de março, sem sucesso até o momento.
Defesas. Pollon solicitou o cancelamento da emenda após a cobrança, alegando falta de comprovação de direitos autorais para a produção da série documental pela ANC. A deputada Bia Kicis negou irregularidades, afirmando que os recursos vão para Heróis Nacionais, não para Dark Horse. A assessoria de Frias confirmou a regularidade das emendas, com documentação existente. Karina da Gama não respondeu aos contatos.
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