- Vídeos em estilo Lego e conteúdo gerado por IA viraram a principal ferramenta de propaganda do Irã, com a série de vídeos “Narrative of Victory” viralizando após ser exibida pela imprensa estatal em 10 de março.
- A história usa elementos como Epstein, Satan e ataques a uma escola para retratar violência e moralidade, conectando desgraças reais a retaliação militar iraniana.
- Em cinquenta dias, contas diplomáticas do Irã somaram quase um bilhão de visualizações, com conteúdos de IA dominando os píncaris, incluindo vídeos de Jesus batendo Trump e uma paródia de ballad chamada “Blockade, Blockade”.
- Diplomatas iranianos não apenas trolam; usam humor ácido e formatos virais para alcançar público global, ao contrário de campanhas mais tradicionais.
- Especialistas dizem que o desafio é medir esse tipo de propaganda, que não faz afirmações falsas nem usa contas falsas, mas vence pela emoção, ritmo e formato; é preciso ferramentas novas para avaliá-lo.
A propagação de mensagens pró-Irã está ganhando destaque na era da inteligência artificial, com vídeos em estilo Lego e conteúdos gerados por IA que se tornam virais. O objetivo é moldar a percepção global sobre Estados Unidos e aliados, usando humor, ironia e estímulos emocionais.
Relatórios de especialistas indicam que o formato é eficaz porque combina elementos visuais simples com trilhas sonoras impactantes. Em poucas semanas, vídeos de Lego e memes passaram a dominar plataformas, alcançando dezenas de milhões de visualizações.
Entre os elementos centrais, estão contas diplomáticas iranianas que utilizam humor ácido, postagens provocativas e referências a figuras públicas. A estratégia envolve desrespeito aparente às normas, mas sem alegações factuais diretas.
O uso de conteúdo gerado por IA é destacado como diferencial. Vídeos com Jesus, Trump ou outras figuras aparecem em cenários de fantasia, sem pretensões de veracidade, mas com alto poder de retenção do público.
Especialistas apontam que, em 50 dias, contas diplomáticas iranianas teriam obtido quase um bilhão de visualizações, superando o tráfego pré-guerra. Conteúdos de IA ocupam o topo das tendências, ampliando o alcance global.
Mudança de tônica
A estratégia não visa apenas desferir ataques de humor, mas enviar mensagens sobre moralidade e poder. A narrativa gira em torno de questões como corrupção moral e vulnerabilidade de adversários, reforçando a retórica de retaliação.
Diferentemente de campanhas anteriores, o foco é externo: o objetivo é alcançar audiência global já atenta a conflitos, sem depender de farsas ou alegações específicas. A forma, e não a veracidade, é o ingrediente-chave.
Pesquisadores observam que o ambiente de memes facilita a difusão rápida, com clipes sendo recortados e reeditados por usuários reais. A participação autônoma de internautas amplifica o impacto sem coordenação central visível.
Implicações para a checagem
Profissionais de verificação reconhecem limites: conteúdos de IA não apresentam afirmações explícitas a serem checadas como fatos. Em vez disso, tratam-se de formatos emocionais que moldam percepções e atenções.
Analistas ressaltam que a desconexão entre veracidade e persuasão torna necessária nova abordagem metodológica. Medidas tradicionais de checagem e desmentido podem não bastar para esse tipo de propaganda.
Segundo estudiosos, a propaganda de IA volta-se para públicos já cativos politicamente. Por isso, o desafio é entender o percurso de consumo e a forma de engajamento que transforma entretenimento em influência estratégica.
A discussão sobre o tema indica a necessidade de ferramentas e quadros analíticos atualizados. A indústria de checagem cita a falta de instrumentos para medir o impacto de conteúdos que não afirmam fatos, mas mobilizam emoções.
O panorama sugere que governos e instituições precisam adaptar estratégias de comunicação e avaliar riscos de propaganda aberta. O foco passa a ser a compreensão de formatos que ganham espaço sem depender de desinformação tradicional.
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