- O livro de Kori Schake, The State and the Soldier, analisa o controle civil sobre as forças armadas dos Estados Unidos e sua importância no momento atual.
- Um evento em Quantico, Virginia, reuniu centenas de almirantes e generais, convocados pelo presidente e pelo secretário de defesa para discursos de tipo campanha.
- Schake sustenta que o sistema de controle civil funciona, mas alerta para o risco político que pode surgir mesmo quando o Exército permanece leal.
- Ela propõe dois testes: o presidente pode demitir oficiais, e os oficiais devem obedecer a políticas legais mesmo quando discordam, não substituindo o juízo civil.
- O livro critica a ideia de que as Forças Armadas podem salvar a democracia, argumentando que o papel das tropas é cumprir a lei e aconselhar com honestidade, sem usurpar a autoridade civil.
O livro de Kori Schake propõe uma leitura essencial sobre o controle civil das Forças Armadas dos EUA. A autora sustenta que o silêncio tradicional do alto comando frente a decisões políticas é, hoje, ao mesmo tempo o sucesso do sistema e o seu maior risco.
Em uma análise recente, Schake identifica dois testes centrais para o controle civil: o presidente pode demitir os oficiais superiores e os militares cumprem ordens legais com autonomia para discordar politicamente. A obra oferece um modelo em que civis permanecem no comando e a tropa obedece, aconselha e, se necessário, se afasta por convicção.
O lançamento chega em meio a um episódio marcante: em Quantico, Virgínia, dezenas de generais e almirais foram reunir-se a pedido de autoridades civis, em uma operação que gerou custos e interrupções. O episódio serviu de ilustração prática para o argumento central do livro.
Contexto e alcance
Schake complementa a teoria com histórico de 250 anos de relações civis-militares, destacando que a crise atual é política e não estrutural. A autora cita ataques à autoridade civil como parte de um debate maior sobre honestidade institucional e responsabilidade dos militares.
Ela diferencia a posição de figuras ligadas a políticas extremas do debate público, ressaltando que a lealdade das forças não deve se confundir com a função de decidir políticas de defesa. A tese é que a lei exige recusa a ordens ilegais, mas nem todas as ações potencialmente controversas devem ser consideradas insurgentes.
Implicações para a democracia
Schake alerta que cada ato de politização silenciosa fortalece o caminho para novas pressões no futuro. A leitura enfatiza que os militares não devem, nem podem, salvar a democracia de debates políticos; esse papel cabe aos civis eleitores, instituições e vigílias institucionais.
A pesquisadora também questiona a ideia de que as Forças Armadas poderiam evitar crises políticas por meio de desobediência oportunista. Segundo ela, esse cenário é improvável e arriscado, pois poderia gerar instabilidade legal e institucional.
A obra, associada a leituras anteriores sobre comando supremo e direito dos civis de estar errados, propõe um equilíbrio que privilegia a primazia civil, a obediência a ordens legais e uma linha de conduta que evita que o militar substitua a decisão política.
Conclusões de leitura
Para Schake, o problema não está apenas no comportamento de líderes específicos, mas na expectativa pública de que o Exército possa resolver disputas políticas. O livro conclui que o aparato civil deve apenas liderar, com o Exército atuando dentro das leis e com responsabilidade cívica.
Entre na conversa da comunidade