- Armênia realiza eleições nacionais em 7 de junho, em meio a uma disputa geopolítica entre Rússia, EUA, Turquia, Europa e Azerbaijão.
- O governo busca transformar a geografia do país em ativo estratégico, abrindo fronteiras com a Turquia e o Azerbaijão para ligar Europa, Ásia Central e Extremo Oriente.
- O premiê Nikol Pashinyan defende a “Real Armênia” e uma política externa mais diversificada, com possível acordo de paz com o Azerbaijão e menor dependência da Rússia.
- A campanha envolve questões como o retorno de territórios de Nagorno-Karabakh, a situação de prisioneiros e a constitucionalização de acordos de paz, incluindo um referendo pelo fim do ano.
- Críticos e aliados disputam o grau de distanciamento de Moscou, com riscos de retaliação russa e pressões para permanecer no eixo euro-asiático.
A Armênia vai às urnas no dia 7 de junho, em meio a um embate geopolítico que envolve Rússia, EUA, Turquia, Europa e Azerbaijão. O pleito ocorre em um momento em que o governo busca transformar a geografia do país em ativo estratégico, conectando leste e oeste da Eurásia.
O premiê Nikol Pashinyan, em seu terceiro mandato, defende a ideia de uma Armenia mais integrada ao Ocidente, ao mesmo tempo em que negocia acordos para encerrar o conflito com o Azerbaijão. A gestão atual aposta em uma política externa mais diversificada, com ênfase em paz e fronteiras abertas.
O governo aponta para a abertura das fronteiras com a Turquia e com o Azerbaijão como marco de transformação regional. A projeção é que, com acordos de paz, a Armênia poderia ocupar rota-chave de ligação entre a China ocidental e a Europa.
Dilema político e objetivo estratégico
O chanceler Ararat Mirzoyan diz que o país pretende transformar a sua geografia em vantagem estratégica, ligando Europa a Central e ao Leste Asiático. O plano inclui o conceito de uma Trilha de Paz que conectaria continentes através do território armênio.
No front nacional, o pleito também é apresentado como decisão sobre a identidade da Armenia: manter uma linha de equilíbrio entre Rússia e Ocidente ou apoiar uma integração mais estreita com a UE. Partidos pró-Rússia disputam espaço com a base governista Civil Contract.
A disputa envolve também figuras empresariais-financeiras associadas a interesses russos, como o líder do Stronger Armenia, Samvel Karapetyan. Acusações e controvérsias acompanham a campanha, incluindo disputas sobre nacionalização de ativos e decisões judiciais ligadas a figuras públicas.
Cenário interno e impactos possíveis
Observadores apontam que a vitória de Civis Contract pode sinalizar uma mudança de curso externo, ainda que as conversas com Baku permaneçam críticas para avançar no processo de paz. O acordo com o Azerbaijão, que envolve ajustes constitucionais, aparece como uma condição para avançar.
Na prática, o resultado pode influenciar o futuro da fronteira com a Turquia, que permanece fechada desde 1993, além de determinar o ritmo de uma possível votação sobre mudanças constitucionais até o fim do ano. Ex-alunos de Nagorno-Karabakh permanecem em situação de instabilidade política e social.
Contexto internacional e atores envolvidos
O presidente russo, Vladimir Putin, tem sugerido referendo sobre adesão da Armênia à UE ou à União Econômica Euroasiática, contribuindo para a polarização durante o período eleitoral. A União Europeia tem apoiado a agenda de aproximação com a Armênia, enquanto interesses turcos e russos tentam influenciar o desfecho político.
Ao que tudo indica, a Armênia busca um equilíbrio entre manter vínculos tradicionais com a Rússia e ampliar a cooperação com a UE. O país avalia condições para avançar em acordos de paz com o Azerbaijão, condicionados a mudanças constitucionais e a garantias de soberania.
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