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Cubanos abandonam o sonho americano

Com a política de endurecimento dos EUA, cubanos migram cada vez mais para Brasil, México e Uruguai, deslocando custos migratórios e influências regionais

A woman holds a Cuban flag aboard a ship that is flying the Mexican flag.
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  • A emigração cubana está mudando: menos rumo aos Estados Unidos e mais deslocamentos para países da América Latina, como Brasil, México e Uruguai.
  • O acionamento da política de pressão máxima do governo americano contra Cuba intensificou restrições de entrada e interrompeu acordos de migração, contribuindo para o novo fluxo migratório.
  • No Brasil, aplicações de asilo de cubanos quase dobraram, de 22.288 em 2024 para 41.919 em 2025, representando a maioria entre os requerentes.
  • No México, cubanos passaram de 23% a 78% dos vistos humanitários emitidos entre 2024 e 2025, indicando maior ingresso de cubanos pelo país.
  • Uruguai também passou a registrar grande demanda de cubanos por residência, enquanto países da região oferecem vias legais de entrada e trabalho, limitando a dependência de Washington.

Os cubanos passaram a buscar destinos distintos para fugir da piora econômica na ilha, em meio a uma mudança nas políticas de imigração dos Estados Unidos. O objetivo é entender para onde vão, por que escolhem esses países e quais impactos isso gera na região.

Desde 2021, a migração cubana envolve milhares de pessoas que deixam o país diante da deterioração do cenário interno. A ofensiva de Washington sobre Cuba, com embargo de petróleo e medidas de controle migratório, intensificou a pressão sobre quem pretende sair.

A mudança de padrão migratório já é perceptível: mais saídas para a América Latina, com Brasil, México e Uruguai mais demandados. Países externos passam a receber fluxos que, historicamente, eram direcionados principalmente aos Estados Unidos.

Mudanças na rota de saída

No Brasil, os pedidos de asilo de cubanos quase dobraram entre 2024 e 2025, tornando-se a maior nacionalidade entre os requerentes. Relatórios da IOM apontam aumento significativo de migração regular rumo ao país, com chegada por fronteiras abertas com Guyana.

No México, a participação cubana em cartões de visitante humanitário cresceu expressivamente entre 2024 e 2025, indicando entrada para vias de regularização. Dados oficiais mostram aumento também nas situações de residência temporária e permanente.

No Uruguai, Cubanos passaram a figurar entre as maiores nacionalidades solicitantes de residência em 2025, segundo a Direção Nacional de Migração. A tendência contrasta com o perfil observado em outros mercados da região.

Contexto e impactos regionais

As mudanças ocorrem em um momento de tensões entre Washington e governos latino-americanos, que vão desde fluxo migratório até questões de comércio e política externa. Países receptores ganham influência na diplomacia migratória regional.

Especialistas ressaltam que a presença cubana em novas rotas oferece vantagens estratégicas aos países anfitriões, além de custos logísticos com serviços públicos e processamento de vistos. Tais fatores podem influenciar acordos bilaterais.

Enquanto os EUA mantêm controle mais rígido sobre a entrada de cubanos, Bahamas e Jamaica aparecem menos envolvidos. A maior parte das novas portas de saída está concentrada em Brasil, México e Uruguai, com peso político e econômico relevante para a região.

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