- Autores: Marcio Pochmann e Luiz Fernando Castelo Branco Rebello Horta; publicado na edição de CartaCapital em 3 de junho de 2026.
- Transformações digitais redefinem o regime de verdade, com instituições e práticas determinando o que é considerado verdadeiro e falso.
- Pela primeira vez, o custo de verificar a realidade é maior que o custo de consumir informação mediada por algoritmos.
- A consequência é a disseminação de informação rápida e personalizada, tornando o conhecimento mais caro e menos acessível de forma crítica.
- O texto defende que a “pós-verdade” é um deslocamento do regime moderno de conhecer, não apenas a existência de mentiras, e propõe repensar arquitetura algorítmica, modelos de negócio e educação pública para reconstituir a capacidade de conhecer.
O texto em análise discute como as transformações digitais afetam o regime de verdade na sociedade contemporânea. Aparece em CartaCapital, edição de 3 de junho de 2026, sob a autoria de Marcio Pochmann e Luiz Fernando Castelo Branco Rebello Horta. O trabalho não apresenta notícias de um fato específico, mas sim uma leitura crítica sobre o momento informacional atual.
Os autores descrevem que a crise não é a vitória da mentira, mas o deslocamento do modo de produzir conhecimento. Eles utilizam o conceito foucaultiano de regime de verdade, que envolve instituições, autoridades e práticas que legitimam o que é considerado verdadeiro. Esse aparato estabelece contratos sociais.
A análise traça‑se ao longo de uma comparação histórica com o capitalismo industrial. No século XIX, a saúde pública emergiu como responsabilidade estadual para enfrentar doenças que ameaçavam a força de trabalho, compondo um consenso mínimo sobre o real. A engenharia social apoiou o que deveria ser reconhecido como verdadeiro.
Os autores argumentam que, hoje, o custo de verificar a realidade é superado pelo custo de consumir informações. As plataformas digitais, com algoritmos, aceleraram a distribuição de dados personalizados, rendendo rápido o consumo de conteúdo sem verificação crítica. O conhecimento fica caro, a informação barata.
Diante desse cenário, a narrativa aponta para uma mudança estrutural: não é a verdade que some, mas o modo de produzí-la. O texto sugere que a economia política do conhecer favorece versões prontas, dificultando o avanço de ciência, democracia e mercado com bases sólidas.
O artigo questiona como reconfigurar condições materiais e institucionais para restabelecer o ato de conhecer. Ele enfatiza educação pública, soberania informacional e modelos alternativos de negócios para plataformas. Trata‑se de uma reflexão sobre o que seria necessário no século XXI.
Contexto da análise
O estudo cita o papel da educação e da regulação tecnológica como pontos centrais para reconstruir práticas de verificação. A partir disso, aponta caminhos para resgatar o equilíbrio entre informação e conhecimento, sem improvisar soluções simples.
Implicações para a sociedade
Conclui que a crítica permanece operando no âmbito da metodologia e das estruturas de incentivos. A partir da leitura, resta entender quais políticas públicas e reformas pedagógicas poderiam reconstituir a capacidade de conhecer, em equilíbrio com o consumo de informações.
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