- Em 29 de maio completa 30 anos desde que Benjamin Netanyahu se tornou primeiro‑ministro de Israel, mantendo‑se como a figura dominante da política do país.
- Analistas dizem que ele saiu de uma busca pelo voto central para buscar a destruição do centro, formando dois campos tão opositores que pouca gente se vê mudando de lado.
- Campanhas de 1996 e 1999 ilustraram a ideia de triangulação, mas o aprendizado foi: governar mirando moderados pode falhar e não conquistar a esquerda.
- A partir de 2015, o Likud passou a demonizar opositores e instituições, adotando tom mais anti‑pluralista; em 2023 houve uma reforma judicial que ampliou a polarização.
- Mesmo diante de crises como o ataque de 7 de outubro de 2023, Netanyahu manteve base leal; especialistas destacam que seu estilo iliberal pode persisitir nas eleições de outubro.
Benjamin Netanyahu completa 30 anos no cargo de primeiro-ministro de Israel. O marco marca três décadas em que o político permaneceu como figura dominante na política israelense, mesmo diante de mudanças demográficas e fortes disputas internas.
Ao longo dos anos, a estratégia eleitoral de Netanyahu deixou de mirar o centro para buscar a polarização. A ideia passou a ser impedir a travessia de eleitores para o campo adversário, mantendo dois blocos rivais com hostilidade profunda.
Origem da mudança de estratégia
No início dos anos 90, Netanyahu concorreu buscando equilíbrio entre segurança e acordos com os palestinos. Em 1996, ganhou com uma promessa de paz segura, porém, ao longo do tempo, adaptou a tática para maximizar o apoio da base à direita, reduzindo espaço ao centro.
Da centro-direita à permanência no poder
Quando retornou ao cargo em 2009, ele abriu espaço a alianças com o centro, mas o núcleo da sua visão já se firmava: o left passou a ser visto como uma ameaça, o que moldou campanhas e políticas subsequentes. O objetivo era fortalecer a lealdade entre seus apoiadores.
Transformação institucional e sociedade
A partir de 2015, o tom de combate aos opositores se intensificou, com mensagens que associavam adversários a elites e a ameaças internas. Dados de pesquisas eleitorais globais indicam que o Likud passou a exibir traços de populismo de direita, com menos tolerância a minorias.
Em 2023, o choque da guerra e a resposta política
A linha de governo de 2023 priorizou uma reforma judicial que concentrou poder no Executivo, gerando protestos amplos. O conflito com o Hamas desde 7 de outubro de 2023 também moldou a narrativa pública, com desconfiança persistente entre segmentos da população.
Implicações para a democracia e o futuro
Pesquisas pós-ataques mostram polarização acentuada: apoiadores continuam firmes, críticos manifestam rejeição contundente. Mesmo assim, o apoio ao líder manteve-se estável para parte da base, revelando a força de uma liderança que não depende apenas de votos consistentes.
As próximas eleições, agendadas para outubro, devem testar novamente o equilíbrio entre apoio leal e oposição demarcada. Analistas destacam que a herança de Netanyahu pode moldar o papel de Israel na política global por anos, independentemente do vencedor.
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