- Investigações apontam que o ICE aumentou prisões de rua na região de Nova York entre outubro de 2025 e meados de março, totalizando 430 prisões.
- Desse total, 93% envolveram Latinos, embora esse grupo corresponda a 66% da população indocumentada local.
- Em muitos casos, os agentes prenderam pessoas que não eram alvos diretos, detidas por supostamente se parecerem com quem estavam procurando.
- O programa 287(g), que faz a cooperação entre polícia local e ICE mais ampla, tem crescido sob a gestão de Trump, com incentivos financeiros para participação.
- As prisões geram deslocamento de imigrantes para detenção remota, mesmo quando não resultam em deportação imediata, e o uso de perfil racial tem sido alvo de críticas e debates legais.
O governo de Donald Trump intensificou as prisões de imigrantes nas ruas, com registros judiciais indicando foco desproporcional em bairros latinos na região metropolitana de Nova York entre outubro de 2025 e meados de março de 2026. De acordo com o veículo The City, foram realizadas 430 prisões de rua nesse período, sendo 93% de Latinos, apesar de essa população representar 66% do contingente indocumentado local. Em muitos casos, as detenções visaram pessoas que não eram os alvos previstos.
Os registros indicam que agentes prenderam pessoas que pareciam se assemelhar aos alvos, com base apenas em aparência, sotaque ou etnia. Ao todo, mais de 1.200 prisões na área metropolitana aparecem nesses autos entre outubro de 2025 e março deste ano, sugerindo prática de abordagem com base na cor da pele. Em algumas ocorrências, indivíduos afirmaram ouvir insultos durante a abordagem.
O que há nos bastidores
Relatórios apontam que, após avaliações judiciais envolvendo Minnesota, a prática de prisões sem mandado baseada em raça foi objeto de críticas e decisões contrárias a depender de foro. A administração diz buscar enforcement mais preciso, mas dados locais indicam que as ações ocorrem com amplo poder de ação dos agentes, mirando autoridades migratórias de forma mais ampla.
No nível nacional, dados do NAACP Legal Defense Fund indicam mais de 400 mil prisões realizadas no primeiro ano e meio do segundo mandato de Trump. Entidades de pesquisa apontam que um número crescente de detenções envolve Latinos sem antecedentes criminais ou ordens de deportação anteriores, sugerindo possível raciocínio de perfil racial durante abordagens em via pública.
A Suprema Corte dos EUA, em decisão de 6 a 3, autorizou, em certa medida, perfis raciais em ações de imigração, o que influencia a prática de abordagens por parte de ICE. Além disso, acordos de cooperação entre polícia local e ICE, conhecidos como 287(g), aumentaram nos últimos anos, levando cidades a colaborar em ações de imigração, inclusive com financiamentos e treinamentos.
Instrumentos e impactos
O programa 287(g) envolve parcerias que permitem que autoridades locais transferiram pessoas para custódia de ICE, ou realizem detenções por suspeita de violações migratórias, com diferentes modelos de atuação. O modelo de força-tarefa, em especial, voltou a ganhar espaço após gestões anteriores terem limitado sua utilização. Em estados como Texas e Florida, há expansão de cooperação entre forças locais e DHS, com incentivos financeiros para participação nessas atividades.
Mesmo quando as prisões não resultam em deportação imediata, o efeito é o deslocamento de imigrantes de comunidades e o envio para centros de detenção distantes, dificultando acesso a advogados. Movimentos de defesa apontam que isso gera insegurança jurídica e retração da participação cidadã nas comunidades.
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