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Ex-chanceler: Flávio Bolsonaro age contra soberania e é indigno de presidir

Aloysio Nunes afirma que aplicar leis estrangeiras no Brasil compromete a soberania, em reação ao pedido de Flávio Bolsonaro para PCC e CV serem terroristas

O senador Flávio Bolsonaro em 19 de maio de 2026. Foto: Sergio Lima/AFP
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  • Aloysio Nunes disse à CartaCapital que Flávio Bolsonaro é indigno de ser presidente por defender que Estados Unidos designem o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.
  • Marco Rubio informou que o governo de Donald Trump classificará o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho como Organizações Terroristas Estrangeiras a partir de 5 de junho.
  • A medida poderia afetar a soberania brasileira, segundo avaliação técnica, já que as facções são consideradas criminosas com atuação voltada ao lucro, não a motivos políticos.
  • Nunes afirmou que a soberania inclui reger-se por leis próprias e que defender a aplicação extraterritorial de lei norte-americana ao Brasil é inadequado.
  • Ele lembrou que o Brasil tipifica terrorismo em atos motivados por xenofobia, discriminação ou preconceito pela Lei das Organizações Criminosas (Lei n. 12.850/2013), com penas mais severas do que as previstas para terrorismo.

Aloysio Nunes disse à CartaCapital que considera o senador Flávio Bolsonaro indigno de assumir a presidência, por defender a aplicação de uma lei norte-americana ao Brasil. A afirmação ocorreu após o pré-candidato ao Planalto pedir que o governo dos EUA classifique facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.

A posição do ex-chanceler leva em conta a soberania nacional, apontando que o Brasil se rege por leis próprias. Nunes afirmou que aplicar normas estrangeiras a actos no Brasil contraria a ordem jurídica brasileira.

Segundo o relato, o tema ganhou repercussão após encontro entre Flávio Bolsonaro e o ex-presidente Donald Trump na Casa Branca, perto de 48 horas antes do anúncio do governo americano. O senador teria pedido a adoção dessa designação contra PCC e Comando Vermelho.

A defesa de Nunes cita a legislação brasileira, que tipifica terrorismo com base em atos motivados por xenofobia, discriminação ou preconceito. Ele ressaltou que crimes do PCC e do CV são abrangidos pela Lei das Organizações Criminosas, com penas previstas de forma específica.

Contexto internacional e soberania

A secretaria de Estado dos EUA sinalizou que poderia classificar as facções como Organizações Terroristas Estrangeiras a partir de 5 de junho, segundo informações estabelecidas por autoridades americanas.

Implicações legais no Brasil

Advogados e especialistas destacam que a definição de terrorismo no Brasil tem base legal própria. A aplicação extraterritorial de leis estrangeiras pode gerar conflitos com o ordenamento jurídico nacional.

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