- As negociações formais do USMCA entre Estados Unidos e México começaram em 28 de maio, com foco inicial em conversas bilaterais.
- A relação entre os dois países entrou em crise diante de tensões sobre segurança, corrupção e possíveis operações de inteligência no México, visto como violação de soberania.
- Em 29 de abril, o Departamento de Justiça dos EUA acusou o governador de Sinaloa, Rubén Rocha Moya, e mais nove atuais ou ex-funcionários de colaborar com o cartel para distribuir grandes quantidades de drogas para os EUA.
- Em maio, dois assessores próximos a Rocha Moya se entregaram às autoridades americanas, aumentando a pressão sobre o governo mexicano e elevando as tensões com a administração de Claudia Sheinbaum.
- Com a revisão do USMCA em curso, o México busca manter o acordo estável, já que o comércio com os EUA representa parcela relevante das suas exportações e as decisões sobre extensão devem ocorrer até 1º de julho.
Acordos em risco: as negociações bilaterais entre EUA e México começaram, mas as relações passaram por tensão justamente quando o USMCA entra em review. O governo mexicano enfrenta pressão para conter cartéis, enquanto Washington acionou uma linha dura em segurança e corrupção.
A ruptura se intensificou após a divulgação de operações que resultaram na morte do líder do Cartel Jalisco Nova Geração. Autoridades mexicanas afirmam não ter conhecimento total da operação e reivindicam soberania sobre o território.
No centro do atrito, cenas de cooperação tensa e acusações mútuas, com EUA sinalizando mais ações contra corrupção e crime organizado no país. O tom de Washington sugere próximas etapas no endurecimento de políticas públicas mexicanas.
Contexto e cronologia
Em fevereiro, após meses de pressão americana, forças mexicanas executaram a operação que resultou na morte do chefe do cartel. O evento elevou o tom entre os dois países, ainda que autoridades mexicanas defendam a independência de suas decisões.
A seguir, o embaixador dos EUA em Cidade do México elogiou a cooperação bilateral como inédita, enquanto relatos indicavam uso de inteligência norte-americana na ação. A presidência mexicana pediu provas adicionais para eventuais pedidos de extradição.
No entanto, surgiram relatos sobre um incidente envolvendo agentes da CIA em Chihuahua, o que ampliou as dúvidas sobre a colaboração entre os dois governos. A presidente mexicana reforçou que não há autorização para operações sem consentimento nacional.
Impactos e próximos passos
Com o USMCA em revisão, o futuro do acordo é incerto. O México depende em grande medida do comércio com os EUA, que respondem por parte relevante das exportações nacionais. A prioridade é manter a estabilidade comercial sem abrir mão da soberania.
Analistas afirmam que a relação poderá sofrer reformas ao longo de anos, especialmente em áreas de segurança, energia e comércio. O governo mexicano busca equilíbrio entre manter o acordo e enfrentar pressão política interna ligada a cartéis.
A tensão também envolve outros atores regionais, incluindo Canadá, com perspectivas de renegociação de questões de infraestrutura, tarifas e governança comercial. O cenário sugere negociações complexas e possíveis ajustes no USMCA.
Perspectivas
Especialistas destacam que, independentemente do desfecho, o objetivo estratégico de Washington é reduzir a influência do crime organizado sobre políticas públicas mexicanas. Para o México, a prioridade é preservar o fluxo comercial sem ceder a pressões externas.
O diálogo permanece aberto, mas a percepção de risco para o relacionamento bilateral aumentou. A tendência é de que a evolução do USMCA e de políticas de segurança permaneçam sob escrutínio público e institucional nos próximos meses.
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