- AAFS Infrastructure and Energy, com endereço em Saravóvio, está próxima de obter concessão para construir e operar um gasoduto nos Bálcãs, avaliando contratos superiores a US$ 1 bilhão.
- A empresa tem ligações com figuras associadas a Donald Trump, incluindo um advogado de Washington que já atuou em casos envolvendo a família e o irmão do ex-conselheiro de segurança nacional, ligados ao movimento anti-derrota eleitoral de 2020.
- Não houve processo de licitação competitivo; a Bosônia e Herzegovina aprovou, em março, que a AAFS fosse contratada para o gasoduto sul-interconexão, apesar de preocupações sobre transparência.
- A iniciativa conta com apoio da administração Trump e é apresentada como meio de diversificar o abastecimento de gás, reduzindo a dependência do gás russo, em meio a tensão política regional.
- O projeto envolve Milorad Dodik, líder ultranacionalista da República Sérvia da Bósnia, que busca aproximar-se de Washington para alterar o acordo de paz de 1995; o interesse no gasoduto é visto como fator central para evitar bloqueios.
AAFS Infrastructure and Energy, uma empresa obscurecida no registro de Sarajevo, está perto de vencer contratos que podem ultrapassar US$ 1 bilhão para construir e operar uma interconexão de gás que ligaria a Bacia dos Balcãs a fontes de gás americano. O projeto visa substituir parte do abastecimento vindo da Rússia.
A empresa surge no centro de uma investigação do Guardian que vincula a orientação de políticas externas dos EUA a interesses de enriquecimento de figuras ligadas à família Trump. Representantes da AAFS incluem um advogado de Washington que atuou em casos envolvendo o: Trumps, além de um irmão do ex-conselheiro de segurança nacional, ambos participantes de campanhas associadas a esforços para contestar a vitória de 2020.
O interesse pelos planos surgiu em meio a negociações sem licitação competitiva, com interlocutores bosnios apontando para benefícios estratégicos da parceria com uma empresa ligada a figuras próximas a Washington. A ideia é ampliar a independência energética da Bosônia e reduzir a dependência de fornecedores rusos, em linha com prioridades americanas de diversificação de recursos.
A apresentação pública da AAFS aponta um custo estimado de €300 milhões para a construção do gasoduto, mais €900 milhões para três usinas, com financiamento majoritariamente privado, sem detalhar retorno para investidores. Em março, uma nova legislação bosnia designou a AAFS como contratante do projeto, sem processo de licitação.
Milorad Dodik, líder ultranacionalista da Sérviana Bósnia, tem sido foco de tensões diplomáticas entre Washington e Banja Luka. Ele tem buscado apoio para supostamente colcar o acordo com a cadeia de suprimentos de gás sob controle regional, enquanto Washington avalia impactos de políticas de energia na região europeia.
O governo dos EUA, por meio da embaixada em Sarajevo, destacou que o gasoduto Sul da Interconexão está alinhado com a diversificação do fornecimento, citando a redução da dependência de gas natural importado de fontes únicas. Autoridades locais relatam pressão para avançar com o projeto, com receio de atrasos por questões políticas internas.
Afonso Bekan, representante local da AAFS, afirma que a equipe combina presença no terreno com apoio nos EUA e que o projeto representa o futuro energético da Bósnia. Questionado sobre a origem de investimentos, ele não divulga nomes com clareza, citando potenciais fundos de investimento americanos.
Michael Flynn e Jesse Binnall, ambos ligados a campanhas pró-Trump, aparecem entre as ligações da AAFS nos EUA. Flynn esteve envolvido em ações judiciais relacionadas ao impeachment de Trump e, após o retorno do ex-presidente ao poder, firmou acordos com o Departamento de Justiça em casos diversos. Binnall é advogado com histórico de atuação em defesa de Trump.
Críticos destacam riscos de favorecer favorecimentos políticos em grandes obras de infraestrutura, apontando que a ausência de licitação pode comprometer a concorrência e a transparência. Organizações internacionais chamaram atenção para possíveis impactos de governança em projetos estratégicos de energia na região.
A Banha de Dodik sinalizou disposição de não obstruir o plano da AAFS e Flynn, abrindo caminho para que o acordo avance. Analistas alertam que, apesar do apoio, ainda há desafios técnicos, políticos e legais a serem superados antes do início da construção do gasoduto e das usinas associadas.
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