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Dono de café em Manchester diz que polícia tentou recrutá-lo para espionar Palestine Action

Proprietário de café em Manchester afirma que policiais tentaram recrutá-lo para espionar Palestine Action, oferecendo benefícios financeiros e para fazer vista grossa a certas infrações

Shams Sadiq: ‘They said to me: “We need your help. Look, there’s benefits in helping us”.’ Photograph: Joel Goodman/The Guardian
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  • Um proprietário de cafés em Manchester afirma ter sido abordado pela polícia com oferta de benefícios financeiros e de “fechar os olhos” para certas infrações, se informasse sobre o grupo Palestine Action.
  • Shams Sadiq, 51 anos, disse que o convite ocorreu em 15 de maio, na delegacia de Ashton-under-Lyne, em meio a investigações ligadas a ações do Palestine Action.
  • Segundo ele, dois investigadores teriam dito que haviam verificado seus dispositivos e que ele estaria “totalmente envolvido” com Palestine Action, mas não seriam instauradas acusações pela prisão anterior.
  • Os oficiais teriam sugerido ajuda financeira e outras vantagens, inclusive facilitar pontos como multas de trânsito, caso ele cooperasse com as investigações.
  • Sadiq afirma que também foi questionado no aeroporto de Manchester sob o regime do Schedule sete da Lei de Terrorismo e que, dias depois, os mesmos agentes teriam retornado seus dispositivos; a GMP não comentou o caso.

Shams Sadiq, dono de dois cafés em Manchester, afirma que policiais tentaram recrutá-lo para atuar como informante sobre o grupo Palestine Action, oferecendo benefícios financeiros e a possibilidade de deixar passar infrações de menor gravidade. A alegação envolve o que ocorreu durante o fechamento de dispositivos eletrônicos apreendidos na época de uma prisão relacionada a ações do grupo.

Segundo Sadiq, o oferecimento ocorreu em 15 de maio, na delegacia de Ashton-under-Lyne, após ele ter ido buscar itens recuperados pela polícia. Ele diz que dois oficiais, ligados a uma ofensiva da GMP chamada Operação Wildflower, disseram ter verificado seus dispositivos e afirmaram que ele estaria envolvido com Palestine Action, mas não haveria imputação na ocasião.

O cafeicultor relata que os policiais apresentaram incentivos e sugeriram que poderiam ajudar com questões como impostos ou multas, além de insinuar a possibilidade de facilitar certas situações, desde que colaborasse com as investigações sobre Palestine Action. Sadiq descreve uma conversa em tom amistoso, mas com promessas de benefícios.

Ele afirma que, durante o encontro, também houve menção de outras vantagens e a ideia de não se punir por certas condutas, desde que houvesse cooperação com as investigações. O informante teria perguntado sobre a rapidez de possíveis resoluções, mas os oficiais teriam dito que não se importavam com infrações como multas de trânsito.

Antes, quatro dias antes do suposto contato, Sadiq havia sido submetido a um interrogatório no aeroporto de Manchester por autoridades ligadas ao uso de poderes de proteção. Na ocasião, ele foi questionado sobre Palestine Action, Irã e situação financeira, além de ter seus dispositivos retidos novamente.

Pelo menos dois oficiais teriam marcado um segundo encontro em uma área de lazer no terminal 2, onde teriam se mostrado menos contidos, devolvendo os dispositivos apreendidos no aeroporto e reafirmando a possibilidade de apoio institucional. Sadiq alega que a oferta visava obter cooperação contínua com as investigações.

A defesa de Sadiq está buscando medidas legais com a GMP, afirmando que a conduta das autoridades lembra episódios de abusos de poder presentes em históricos conflitos internos. O escritório de advogados questiona a finalidade do uso de um mecanismo de controle de terrorismo para oferecer incentivos.

A GMP informou que não pode comentar o caso no momento. A resposta oficial não detalha ações específicas, mantendo o silêncio sobre as alegações de tentativa de recrutamento e sobre a natureza das investigações em curso.

Ações legais e respostas

O advogado Simon Pook, que representa Sadiq, afirma que a conduta policial é inadequada e questiona se houve uso indevido de instrumentos legais para oferecer vantagens. Ele sustenta que o uso do mecanismo de controle de terrorismo precisa ocorrer apenas quando houver indícios sólidos de envolvimento em atividades terroristas.

A reportagem não verificou de forma independente todas as alegações apresentadas, mas confirma que Sadiq permanece sob investigação relacionada a uma suposta irregularidade ligada ao Palestine Action. As autoridades não confirmam detalhes operacionais do caso.

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