- Emails datados até 2013, supostamente de Mountbatten-Windsor, mostram ele compartilhando informações confidenciais como enviado comercial do governo; arquivo foi entregue ao lord chamberlain em 2020.
- A BBC afirma que o acervo, com mais de 30 mil e-mails, pode conter dados sobre os desdobramentos financeiros do ex-príncipe.
- Mountbatten-Windsor foi preso em fevereiro, no seu aniversário de 66 anos, sob suspeita de conduta pública inadequada relacionadas a informações para o financier Jeffrey Epstein; ele nega irregularidades.
- O Palácio de Buckingham disse não poder comentar devido à investigação policial em curso; a polícia de Thames Valley lançou novo apelo por informações e pode investigar acusações de conduta sexual e comportamento no Royal Ascot.
- Relatos anteriores indicam que, em 2010, ele pediu informações confidenciais ao Tesouro sobre a crise financeira na Islândia; e-mails teriam mostrado repassar o briefing a Jonathan Rowland, ligado a Kaupthing Bank (mais tarde Banque Havilland).
O Palácio de Buckingham recebeu, em 2020, um conjunto de mais de 30 mil e-mails que, segundo a BBC, pode indicar que Andrew Mountbatten-Windsor compartilhou informações confidenciais durante seu papel como enviado comercial do governo. Os avisos aparecem em documentos judiciais citados pela emissora.
A reportagem afirma que o material, enviado ao lord chamberlain, ainda não teve conteúdo divulgado integralmente. Dentre as mensagens, haveria correspondência relacionada a atividades financeiras do ex-príncipe, com data de até junho de 2013.
A polícia Thames Valley voltou a pedir informações na semana passada. As autoridades indicam que a investigação também pode abranger denúncias de conduta sexual e analisam alegações de comportamento inadequado no Royal Ascot, conforme apurado pela BBC.
Dados de origem dos e-mails
Os e-mails do arquivo teriam saído da conta de Jonathan Rowland, empresário próximo de Mountbatten-Windsor, segundo a BBC. O material foi supostamente obtido durante disputa com um colega não indicado.
A emissora afirma que o conteúdo completo ainda não veio a público. Segundo fontes, parte do material pode ter sido encaminhado ao lord chamberlain em maio de 2021, após o fim do período de atuação pública do príncipe.
A BBC também informou que os e-mails teriam sido repassados a autoridades de Monaco e de Luxemburgo e que o material remeteria a comunicação até 2013. Jonathan Rowland confirmou ter obtido as mensagens em decorrência de um processo judicial.
Relatórios anteriores indicaram que Mountbatten-Windsor solicitou informações confidenciais do Tesouro em 2010 sobre a crise financeira na Islândia. Em registros apresentados pela Telegraph, haveria troca de mensagens com Rowland sobre o assunto antes de o ex-príncipe agir.
A defesa de Mountbatten-Windsor nega irregularidades. O ex-príncipe afirma não ter cometido crime e mantém que não houve conduta inadequada. O Palácio não comentou o assunto devido à investigação policial em curso.
O caso ganhou repercussão após entrevista de Mountbatten-Windsor ao programa Newsnight, da BBC, na qual não pediu desculpas por sua relação com Epstein. O episódio contribuiu para a deterioração de sua imagem pública.
A esteira do episódio, autoridades regulatórias já vinham avaliando ações ligadas ao grupo Kaupthing Bank, ligado a familiares de Rowland. O banco enfrentou sanções no Reino Unido e na União Europeia em momentos anteriores.
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