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América Latina é a região mais polarizada do mundo

PNUD alerta que IA, crime organizado e migração elevam pressão sobre as democracias da América Latina e Caribe, com alta polarização e insatisfação de dois terços

Personas formadas para votar en las presidenciales de Colombia, el domingo pasado en Corinto.
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  • O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento aponta que América Latina e o Caribe é a região mais polarizada do mundo, com índice de polarização de 3,4, acima da média global de 2,9.
  • A polarização leva a confrontos entre “nós” e “eles” e não deve causar rupturas; canais institucionais precisam processar as tensões.
  • Inteligência artificial, redes sociais e desinformação ampliam a rapidez e a fragmentação das informações, minando o diálogo democrático.
  • A migração é usada por atores autoritários para aumentar a polarização; em média, 51,4% dos habitantes da região veem a chegada de imigrantes como negativa.
  • O crime organizado agrava a desafeição democrática e impulsiona demandas por respostas autoritárias, enquanto a crise climática e a disputa por recursos pressionam os governos.

América Latina e o Caribe aparecem como o bloco com maior vocação democrática entre as regiões em desenvolvimento, mas o grau de desconfiança e de desacordo internaliza-se na política. O novo relatório Democracias bajo presión, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), aponta que as democracias da região enfrentam pressões crescentes e incertezas sobre sua sobrevivência.

O estudo, apresentado em Madrid, aponta que a polarização política se intensificou a ponto de se tornar uma dinâmica de confronto entre grupos, e não apenas diferenças de opinião. Segundo o PNUD, a região registra o maior índice de polarização do mundo, 3,4 em uma escala de 0 a 4.

Além da polarização, o relatório destaca outros três grandes eixos de pressão: o avanço da inteligência artificial e das redes sociais, a migração e as sequelas de danos à confiança pública, e o papel do crime organizado na erosão da confiança nas instituições.

Elementos-chave da pressão democrática

A rapidez da disseminação de informações, a fragmentação de fontes e a personificação de conteúdos têm contribuído para a erosão de um terreno comum de deliberação pública, segundo especialistas citados no relatório. O impacto é visto na mudança de padrões de participação cívica e na relação entre cidadãos e governos.

A presença de atores com tendências autoritárias é citada como fator que alimenta narrativas anti-democráticas, especialmente em contextos de migrantes e deslocados. O PNUD observa que, em média, 51,4% da população da região acredita que a chegada de imigrantes é prejudicial aos seus países, ampliando disputas por espaços de inclusão e representação.

Outro componente destacado é a atuação do crime organizado, que tende a atrair apoio a respostas autoritárias e a pressionar governos a adotarem medidas de endurecimento. O relatório recomenda reforçar o estado de direito para conter esses impactos.

O estudo também analisa a tríade crise climática, poluição e perda de biodiversidade, apontando que a disponibilidade de recursos e a quem pertence a sua exploração elevam os riscos para a governança democrática.

Desdobramentos e panorama

Cerca de dois terços da população na região expressa insatisfação com a democracia, conforme o relatório, condição que se sobrepõe a uma parcela menor que mantém avaliação positiva do regime. Esses indicadores ganham relevância caso se confirmem planos de voto em 2026, com eleições previstas na Colômbia, no Peru e no Brasil.

O PNUD enfatiza a necessidade de ações para fortalecer os sistemas democráticos e apresentá-los como ativos para o desenvolvimento regional. A recomendação é canalizar tensões por meio de instituições sólidas, com mecanismos de participação cidadã, transparência e responsabilidade.

A apresentação ocorreu na Fundação Ortega-Marañón, em Madrid, em evento coorganizado pelo Grupo Prisa, editor de veículos da imprensa. O relatório reforça a importância de políticas públicas que promovam diálogo institucional e contenção de crises para evitar rupturas.

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