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Entidades contestam no STF decisão do CN que dificulta aborto legal em menores

Entidades vão ao STF contestar suspensão, pelo Congresso, da resolução do Conanda que orientava aborto legal para crianças vítimas de violência sexual

A estátua 'A Justiça', em frente ao prédio do STF e ao fundo Prédio do Congresso Nacional. — Foto: TON MOLINA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
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  • Entidades que integram o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente vão ao STF contestar a suspensão da Resolução 258, que orientava o aborto legal para crianças vítimas de violência sexual.
  • Câmara dos Deputados aprovou o PDL primeiro, seguido pela aprovação do Senado em menos de dois minutos, suspendendo integralmente a norma.
  • A ação terá o PSOL como autor e será apresentada ao STF após a promulgação do PDL pelo Congresso.
  • A presidente do Conanda, Delia Martins, afirma que o conselho tem autonomia para estabelecer garantias, enquanto a senadora Damares Alves sustenta que o Conanda extrapolou suas competências.
  • A resolução de janeiro de 2025 orientava o atendimento humanizado a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual que engravidam.

O Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) terá ações no STF para contestar a suspensão de uma resolução que orientava o atendimento humanizado de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual, incluindo casos de estupro, direito assegurado por lei. A suspensão foi acionada por meio de um PDL aprovado pela Câmara e, em seguida, pelo Senado em tempo recorde.

A Câmara dos Deputados aprovou o projeto que derrubou a resolução. Menos de dois minutos depois, o Senado Federal aprovou a medida em votação simbólica, sem registro de votos. A dupla aprovação suspende integralmente os efeitos da Resolução 258 do Conanda.

A defesa da medida aponta que o Conanda extrapolou competências ao editar diretrizes de atendimento. O PSOL é o autor da ação que será apresentada ao STF após a promulgação do PDL pelo Congresso. O governo federal também participa do debate dentro do Conanda, com representantes entre os membros.

Delia Martins, presidente do Conanda, afirma que o conselho possui autonomia para estabelecer garantias e que a decisão do Senado não limita essa prerrogativa normativa. A posição foi anunciada à GloboNews, após a aprovação no Senado.

O episódio ocorre em meio ao estágio de período eleitoral, segundo observadores, que apontam a ausência de manifestações públicas mais intensas no plenário. Ministérios dos Direitos Humanos e das Mulheres acompanharam o desdobramento desde que o presidente da Câmara anunciou a pauta para a semana.

A resolução de janeiro de 2025 destacava que a gestação em menores de idade envolve riscos à saúde física, psicológica e mental, com potenciais impactos sociais no desenvolvimento, adoecimento, incapacidade e morte. Defensores da norma ressaltam que não se trata de obrigar o aborto, mas de reconhecer o direito da vítima de não carregar as consequências da violência.

Entre aliados de Damares Alves, há leitura de que a votação foi facilitada pela ausência de mobilização inicial do governo, que preferiu evitar desgastes no tema próximo às eleições. O governo disse respeito à necessidade de manter salvaguardas legais para vítimas de violência.

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