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Nauru emite nota rara após acusações de ameaças a não cidadãos australianos

Governo de Nauru afirma ser amigável após alegações de ameaças de violência a não cidadãos, no contexto do acordo de 2,5 bilhões com a Austrália

Guardian Australia has spoken to advocates and an NZYQ-affected man detained on the tiny Pacific island of Nauru – home to about 12,000 residents – who warn the conditions are poor and unsustainable.
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  • O governo de Nauru emitiu uma declaração rara dizendo que o país é amigável e acolhedor após denúncias de ameaças graves contra não cidadãos removidos pelo governo australiano.
  • O relato veio de um denunciante anônimo lido pelo deputado independente Andrew Wilkie, ligado ao acordo secreto de 2,5 bilhões de dólares entre Austrália e Nauru.
  • Segundo o denunciante, as ameaças surgiram em várias conversas e foram ditas com gravidade, indicando desrespeito à dignidade das pessoas removidas; Wilkie leu trechos com insultos.
  • O acordo prevê vistos de trinta anos para cerca de 350 ex-detidos, com a possibilidade de detenção adicional na migração até a remoção para Nauru.
  • O campo de processamento na ilha é descrito como isolado e com condições desvantajosas; autoridades de assuntos internos dizem que Nauru gerencia o grupo e oferece acesso a serviços básicos de saúde.

O governo de Nauru emitiu uma nota rara, afirmando ser um país “amigável” e receptivo após um whistleblower alegar existirem ameaças graves de violência contra um grupo de não-cidadãos transferidos para a ilha pelo governo australiano de Anthony Albanese. A defesa veio pouco depois ao meio-dia de quinta-feira, horas após o deputado independente Andrew Wilkie ler, em discurso de três minutos, declarações de uma fonte anônima ligada aos arranjos do acordo de cerca de 2,5 bilhões de dólares entre Austrália e Nauru.

Segundo Wilkie, a whistleblower descreveu conversas frequentes que teriam gerado ameaças reais, com tom e gravidade que demonstravam desdém pela dignidade dos removidos e, em alguns casos, desejo de causar danos severos. A pessoa afirmou ainda que quem supervisionava o grupo removido demonstrava falta de respeito aos direitos humanos da população contemplada pelo acordo.

A resposta do governo de Nauru sustenta que o grupo tem livre acesso a instalações modernas, oportunidades de trabalho e um estilo de vida pacífico na ilha. A nota afirma que Nauru é um dos lugares mais seguros da região e reforça que o país recebe os deslocados no escopo do acordo com a Austrália, sem mencionar incidentes específicos.

A situação refere-se a doze homens que estavam detidos indefinidamente em centros australianos de imigração até uma decisão judicial de 2023, e que hoje vivem no antigo centro de processamento regional no norte de Nauru. A liberação para residência ocorreu após o acordo entre os dois governos, ainda envolto em sigilo.

De acordo com autoridades australianas, mais de 30 indivíduos já foram redetidos após receberem visto, desde fevereiro de 2025. A pasta de assuntos internos confirmou esse movimento durante estimativas no Senado, destacando que o processo de detenção temporária pode ocorrer mesmo após a concessão do visto.

Entre as reivindicações recentes, um ex-detento, Kellisar, que chegou ao campo no mês passado após contestação judicial, iniciou uma greve de fome para protestar contra as condições, que descreve como degradantes. Ele relatou dificuldades com assistência médica, alimentação e acesso a serviços bancários e de documentos, segundo relatos de organizações de defesa.

O acordo de 2,5 bilhões de dólares, previsto para três décadas, prevê o custeio de medidas de vigilância, bem como a gestão de um fundo de confiança conjunto entre Austrália e Nauru. O memorando de entendimento que embasa o acordo permanece sujeito a alegações de imunidade de interesse público, com detalhes ainda parcialmente protegidos. Fontes oficiais indicaram que parte do montante inicial seria destinado a facilitar a assinatura e a implementação do acordo.

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