- André Esteves, dono do BTG Pactual, fez um jantar em Lisboa com Alexandre de Moraes durante o Fórum de Lisboa, buscando reduzir atritos após o caso Master e reforçar ligações entre as duas partes.
- O banqueiro patrocinou painéis do Gilmarpalooza com convidados internacionais, como o jornalista Thomas Friedman e o ex-presidente colombiano Iván Duque, elevando a projeção do evento.
- O custo estimado dos dois painéis patrocinados pelo BTG ficaria próximo de um terço da receita do evento, que teve 2.435 participantes e ingressos até R$ 1.320.
- O ministro André Mendonça, relator, não participou do gathering deste ano, diferentemente do que ocorreu na edição anterior.
- O Fórum fechou com ajustes para ampliar diversidade e presença feminina nos painéis, conforme afirmou Gilmar Mendes, que ainda anunciou planos de internacionalizar o evento.
André Esteves, dono do BTG Pactual, teve participação ativa no Fórum de Lisboa ao promover encontros estratégicos com autoridades do STF e patrocinando painéis de alto nível. O objetivo, segundo fontes, foi reduzir atritos recentes envolvendo o caso Master e fortalecer relações com o Judiciário.
O encontro principal ocorreu em Lisboa, durante a 14ª edição do fórum. Ao longo de dois dias, Esteves dividiu momentos entre conversas reservadas e palestras com convidados internacionais, mantendo o tom de sobriedade e foco institucional.
O jantar com Alexandre de Moraes reuniu cerca de 30 pessoas em um hotel de cinco estrelas. Moraes chegou por volta das 20h, acompanhado pela esposa, Viviane Barci, e participou de debates que incluíram políticos, ministros e executivos.
Interlocutores próximos a Moraes e Esteves buscam distender o clima após o desgaste causado pelo caso envolvendo o contrato da esposa do ministro e o Banco Master, revelado pela imprensa. O episódio alimentou críticas políticas e tensão com o governo federal.
A programação contou com a presença de Gilmar Mendes, Hugo Motta, Paulo Gonet e Magda Chambriard. A ideia era promover harmonia entre os Poderes para enfrentar desafios como a desinstitucionalização associada a organizações criminosas.
O patrocínio incomum
Esteves patrocinou dois grandes painéis do Gilmarpalooza, conferindo maior alcance internacional ao evento. Em Lisboa, nomes como Thomas Friedman e Ivan Duque puderam palestrar, com Esteves conduzindo as sessões em inglês e portuñol.
Segundo o BTG, não houve cachê pago aos palestrantes; o banco diz ter custeado passagens e hospedagem com recursos próprios. O patrocinador não figurou nos banners oficiais do evento.
A presença de Friedman e Duque visava ampliar a credibilidade internacional do fórum, que envolve parceiros acadêmicos e institucionais. No entanto, a divulgação dos custos gerou questionamentos sobre o impacto financeiro.
Ambiência e desdobramentos
O evento ocorreu com uma plateia de cerca de 2.435 pessoas, que pagaram ingressos. A organização ajustou a agenda para acomodar a participação de representantes estrangeiros e manter o calendário intacto.
No palco, Moraes recebeu elogios pela condução de casos passados, enquanto Mendes foi citado pelo relator de ações envolvendo tentativas de golpe. A plateia aplaudiu discursos de apoio à atuação do STF.
Além do núcleo jurídico, o fórum reuniu empresários e figuras da política brasileira, com debates sobre eleições, tensões entre poderes e temas da direita bolsonarista. A presença de alguns nomes esteve sob vigilância de organizadores.
Ao final, Gilmar Mendes reconheceu ajustes na programação para ampliar a participação feminina, após críticas sobre falta de diversidade. A edição seguinte já previu maior pluralidade de vozes e painéis internacionais.
Esteves planeja permanecer na Europa por alguns dias, mantendo contatos institucionais e de negócios, antes de retornar ao Brasil. O Gilmarpalooza segue como um encontro de referência para debates de Direito e economia.
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